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Observadores detetam anomalias na contagem de votos nas eleições na RD Congo

STEFAN KLEINOWITZ / EPA

Os resultados provisórios oficiais das eleições gerais só deverão ser conhecidos no próximo domingo.

A missão de observação eleitoral da Igreja Católica detetou anomalias no decorrer da contagem de votos das eleições gerais na República Democrática do Congo, que se realizaram no domingo.

“Até às 09:00, os observadores da CJP/Cenco transmitiram 4.161 relatos sobre a contagem”, referiu o abade Donatien Nshole, secretário-geral e porta-voz da conferência dos bispos católicos da República Democrática do Congo.

Segundo o relatório parcial, “3.626 [relatos] indicam que o número de boletins na urna era igual aos dados eletrónicos registados nas máquinas de voto", disse. Feitas as contas, significa que tal não aconteceu em 535 casos.

A conferência episcopal – que mobilizou 40 mil observadores no terreno – comprometeu-se a publicar o relatório preliminar da observação a 02 de janeiro.

Os resultados provisórios oficiais das eleições gerais só deverão ser conhecidos no próximo domingo e, se não acontecerem imprevistos, o novo presidente assumirá o cargo a 18 de janeiro.

Entretanto, o acesso à internet foi cortado “por ordem do governo”.

"Caro cliente, por ordem do governo, os nossos serviços de internet serão suspensos por tempo indeterminado", indicou o fornecedor Global, numa mensagem recebida pela agência francesa AFP.

"Foi o governo que ordenou o corte", confirmou um representante da operadora móvel Vodacom à AFP, que constatou o corte no acesso aos dados de várias redes em todo o país.

“Lamento ter sabido, pouco antes de entrar na sala, que cortaram a internet”, reconheceu o abade Donatien Nshole, antes de divulgar os resultados preliminares da observação.

Num comunicado inicial, a conferência episcopal, única missão nacional acreditada para a observação eleitoral, tinha felicitado o governo “por ter assegurado o bom funcionamento da internet e das sms" durante o dia da votação. A troca de mensagem escritas continuava a funcionar hoje de manhã, segundo constatou a AFP.

Mais de 39 milhões de congoleses foram chamados às urnas no domingo para escolher o sucessor do presidente Joseph Kabila, obrigado pela Constituição e pela opinião pública a não se recandidatar, e também os deputados nacionais e provinciais de 75.781 colégios eleitorais.

O delfim de Kabila, Emmanuel Ramazani Shadary, é um dos candidatos, a par com dois opositores, Félix Tshisekedi e Martin Fayulu, cuja campanha acusou as autoridades de quererem, com o corte da internet, evitar a difusão de uma "vaga" de manifestações que confirmaria “a vitória esmagadora" do candidato.

Segundo a conferência episcopal, a jornada eleitoral foi marcada por vários incidentes violentos, que causaram, pelo menos, quatro mortos. Os principais problemas foram a falta de boletins e máquinas de voto, atrasos na abertura das urnas e dificuldades com as listas eleitorais.

Lusa

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