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Jovem saudita retida em aeroporto na Tailândia está sob proteção da ACNUR

THAI IMMIGRATION BUREAU HANDOUT

Rahaf Mohammed Al-Qunun tinha previsto viajar para a Austrália, onde pretendia pedir asilo depois de receber ameaças de morte da sua família por ter rejeitado um casamento arranjado.

A jovem saudita que estava retida desde o fim de semana no aeroporto de Banguecoque ficou esta segunda-feira sob a proteção do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) depois de deixar o aeroporto da capital tailandesa.

De acordo com fontes policiais tailandesas, Rahaf Mohammed Al-Qunun tinha previsto viajar para a Austrália, onde pretendia pedir asilo depois de receber ameaças de morte da sua família por ter rejeitado um casamento arranjado e também a religião islâmica, mas foi detida pelas autoridades tailandesas numa escala em Banguecoque.

A jovem trancou-se no quarto do hotel na zona de trânsito do aeroporto para evitar ser obrigada a embarcar num voo de volta ao Kuwait, onde a sua família a esperava, e solicitou uma mediação dos representantes das Nações Unidas.

Esta segunda-feira, Rahaf Mohammed Al-Qunun pode deixar o aeroporto Suvarnabhumi acompanhada de representantes do ACNUR, confirmou à agência noticiosa espanhola EFE o responsável pela polícia de imigração tailandesa, o major general Surachate Hakparn.

Segundo a Human Rights Watch (HRW), a jovem enfrentou a família depois de renunciar ao islão e um matrimónio arranjado, decidindo fugir quando se encontrava no Kuwait com os seus familiares.

"Negava-se a usar o 'hijab' e havia esta tensão com a família devido ao desacordo sobre assuntos religiosos. A sua família queria obrigá-la a um casamento arranjado e isto pareceu ser a gota d'água", disse Sunai Pasuk, da HRW na Tailândia.

Sunai Pasuk disse que a jovem chegou no sábado ao aeroporto tailandês num voo a partir do Kuwait, onde aproveitou que as mulheres não necessitam de autorização de seus "guardiões masculinos" para viajar, como ocorre na Arábia Saudita.

O representante da HRW afirmou que a jovem saudita estava em trânsito em Banguecoque com o objetivo de viajar para a Austrália, tendo bilhete de avião e visto em ordem, desmentindo as alegações das autoridades tailandesas que diziam o contrário.

A jovem assegurou que um funcionário da companhia aérea Kuwait Airways confiscou-lhe o passaporte e disse que, a pedido da embaixada saudita, iria ser obrigada a embarcar num voo de volta ao Kuwait.

A embaixada da Arábia Saudita referiu num comunicado que não confiscou o passaporte da jovem e nem a reteve no aeroporto para que fosse deportada, passando a culpa pela situação às autoridades tailandesas.

Esta segunda-feira pela manhã, uma advogada tailandesa apresentou, sem sucesso, um recurso para impedir a deportação da saudita, que já havia sido decretada. Posteriormente, após a repercussão do caso, as autoridades tailandesas voltaram atrás nesta sua decisão de deportar a jovem.

"Se a jovem não quiser partir, ela não será enviada contra a sua vontade" para a Arábia Saudita, disse Surachate Hakparn, afirmando que a jovem iria ter um encontro com os representantes do ACNUR.

Lusa