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Princesa tailandesa lamenta dissolução do partido que a propôs como candidata

A irmã mais velha do rei Vajiralongkorn da Tailândia foi proposta como candidata a primeira-ministra.

A princesa Ubolratana Mahidol, a irmã mais velha do rei Vajiralongkorn da Tailândia, lamentou esta quinta-feira a decisão do Tribunal Constitucional de dissolver o partido que a propôs como candidata a primeira-ministra nas eleições marcadas para 24 de março.

"É uma história muito triste e deprimente", afirmou a princesa num comentário publicado na sua conta pessoal na rede social Instagram, a que alguns 'media' locais têm acesso, segundo as agências internacionais.

A alta instância tailandesa deliberou hoje a dissolução do partido Thai Raksa Chart, alegando que a formação política tinha violado os princípios da monarquia constitucional ao ter proposto, no passado dia 08 de fevereiro, a princesa Ubolratana Mahidol como candidata ao cargo de primeira-ministra da Tailândia.

A dissolução da força política foi aprovada, por unanimidade, pelos nove juízes que compõe o Tribunal Constitucional.

Com seis votos a favor e três contra, a alta instância também decidiu considerar inaptos os 14 membros que integram o comité executivo do partido Thai Raksa Chart, decisão que impossibilita a participação destes responsáveis em atividades políticas durante os próximos 10 anos.

As duas decisões não podem ser alvo de recurso.

O Thai Raksa Chart era encarado como o único partido aliado do antigo primeiro-ministro da Tailândia Thaksin Shinawatra, deposto em 2006 num golpe de Estado e exilado desde 2008, e da sua irmã e também ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra, que foi igualmente forçada a renunciar ao cargo em 2014 e que se encontra também exilada.

A nomeação de Ubolratana (que tinha perdido os seus títulos reais em 1972 devido ao casamento com um norte-americano) por este partido da oposição abalou a política tailandesa, ameaçando a tradição de décadas da casa real de evitar o envolvimento político.

Nenhum membro da família real foi candidato a chefe de Governo desde o estabelecimento da monarquia constitucional em 1932. Desde então, a Tailândia foi palco de 19 tentativas de golpe de Estado, 12 das quais bem-sucedidas.

A intenção do Thai Raksa Chart era que a princesa disputasse o cargo com Prayut Chan-o-Cha, o atual primeiro-ministro e chefe da junta militar, escolhido pelo partido Phalang Pracharat, amplamente considerado como representante dos militares.

As eleições parlamentares de 24 de março são as primeiras desde o golpe de Estado militar em 2014 liderado pelo atual chefe de Governo.

Na votação serão eleitos 500 membros do futuro parlamento da Tailândia, que por sua vez vão eleger o próximo primeiro-ministro do país.

Lusa