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Pilotos do Boeing 737 Max 8 receberam formação online de 56 minutos

Boeing 737 Max 8 em Jacarta, na Indonésia.

Willy Kurniawan

Na formação não terá sido explicado aos pilotos como trabalhar com o novo sistema MCAS.

Os pilotos americanos que estavam a fazer a transição para o Boeing 737 Max 8, vindos de modelos mais antigos, frequentaram uma formação online focada numa descrição geral do modelo e numa revisão do painel de controlos.

Neste curso, que segundo a CNN variava na duração entre 56 minutos e três horas, não foi explicado aos pilotos como trabalhar com o novo sistema MCAS, projetado para assumir automaticamente o controlo do avião, inclinando-o para baixo em caso de perda de sustentação.

Este é o mesmo sistema que está a ser alvo de investigações depois das quedas recentes de aviões da Lion Air, em outubro, e da Etiophian Airlines, no início do mês, que provocaram no total 346 mortos. A agência francesa de investigação sobre segurança da aviação civil (BEA) concluiu entretanto, durante a análise às caixas negras do avião da Etiophian Airlines, que há "semelhanças claras" entre os dois acidentes.

Mike Trevino, o porta-voz do sindicado que representa os pilotos da Southwest Airlines e que revelou a falha na formação, explicou que o curso “não foi conduzido por um instrutor. Foi feito por conta própria" e disse ainda que o “MCAS foi instalado na aeronave, mas a Boeing não informou os pilotos”.

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O responsável máximo da empresa assegura estar a trabalhar para "entender as causas do acidente em colaboração com os investigadores". A Boeing acrescentou que esta é uma medida "de precaução, para tranquilizar todos os passageiros sobre a segurança da aeronave".

Mais de 60 países interditaram o espaço aéreo ou viram companhias nacionais suspender temporariamente a utilização de aeronaves Boeing 737 Max. Entre estes estão Portugal, Brasil, Canadá e Estados Unidos.

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