Mundo

Governador quer encerrar prisão por receio do maior grupo criminoso do Brasil

"Não existe uma prisão federal a seis quilómetros de um palácio presidencial em lugar nenhum do mundo."

O governador do Distrito Federal do Brasil, Ibaneis Rocha, vai pedir ao Governo central o encerramento da prisão federal em Brasília, capital do país, devido à presença de membros da maior fação criminosa brasileira.

"Não existe uma prisão federal a seis quilómetros de um palácio presidencial em lugar nenhum do mundo. [O problema] não são os que estão presos, porque esses estão controlados. O problema são os que estão soltos, que vêm aí", afirmou o governador, citado pela agência Brasil, referindo-se aos elementos do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior fação criminosa do país.

De acordo com Ibaneis Rocha, na semana passada oito membros do PCC foram presos no Distrito Federal, situação que o terá deixado em alerta.

Segundo as forças policiais da região, os detidos roubavam e traficavam drogas para "abastecer os cofres da organização criminosa".

"Quero saber quem vai dar segurança ao próprio ministro [da Justiça, Sérgio] Moro. Daqui a pouco teremos os meus filhos a estudar com os filhos desses presos, porque eles têm dinheiro", disse o governador do Distrito Federal, segundo a agência Brasil.

Ibaneis Rocha disse ainda que irá encaminhar ainda hoje uma ação judicial ao responsável pela pasta da Justiça, Sérgio Moro, e ao Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, com detalhes da presença dos líderes do Primeiro Comando da Capital na região.

"Espero contar com a sensibilidade dos dois, e que a prisão seja desativada. Hoje pretendo entrar com ação judicial com base na Lei de Segurança Nacional para arrancar uma decisão junto do poder judicial", afirmou o governador.

O líder do PCC, Marco Camacho, conhecido no Brasil como Marcola, foi transferido no mês passado de uma prisão estadual no interior do estado de São Paulo para uma cadeia federal de segurança máxima.

Oficialmente não foi revelado o destino de Marco Camacho, mas estima-se que foi mandado para uma prisão federal na capital do país, Brasília.

O jornal brasileiro Folha de S.Paulo destacou que as autoridades decidiram transferir Marco Camacho de uma prisão estadual em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, para uma cadeia federal depois de descobrirem um plano de fuga que utilizaria um 'exército' de mercenários para o resgate do líder do grupo.

Em dezembro do ano passado, cartas intercetadas à saída da cadeia indicavam que o líder terá pedido aos integrantes do PCC a morte de um promotor caso fosse transferido.

Lusa