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Paquistão coloca sob proteção jovens hindus após conversão e casamento forçados

As jovens teriam 13 e 15 anos, respetivamente.

Um tribunal paquistanês colocou hoje duas irmãs da comunidade hindu num abrigo do Governo, enquanto as autoridades investigam se as jovens foram sequestradas e forçadas a converter-se ao islamismo e a casar-se com dois muçulmanos.

O caso das irmãs da província de Sindh, no sul do país, ganhou força nos meios de comunicação locais nos últimos dias, chegando ao cerne de duas questões controversas nessa nação predominantemente muçulmana: o casamento de jovens menores de idade e das conversões forçadas ao islamismo.

Embora o casamento com menos de 18 anos seja ilegal no Paquistão, a lei é frequentemente ignorada.

Não há legislação que proíba as conversões forçadas.

O Tribunal Superior de Islamabad emitiu hoje a ordem de proteção para as jovens, dizendo que agiu a pedido das duas.

O tribunal também colocou os maridos sob proteção, mas num abrigo separado, já que supostamente temem ser atacados pelos pais das adolescentes.

Jovens são alegadamente menores

Os media paquistaneses referem que as jovens teriam afirmado que se casaram de livre vontade.

O advogado das jovens, Mohammad Umari Baloch, afirmou que as duas não são menores, contradizendo as declarações da família.

A família das jovens, da cidade de Ghotki, em Sindh, dizem que as irmãs têm 13 e 15 anos e foram sequestradas e obrigadas a converter-se e casar-se com os homens muçulmanos.

O irmão mais velho das irmãs, Shaman Daas, disse que as duas foram levadas quando a família estava a celebrar o festival anual hindu de Holi, na última sexta-feira.

"Os seus casamentos não deveriam ter sido realizados e muito menos por um clérigo muçulmano", disse Daas aos jornalistas.

Mais cedo, a polícia em Sindh deteve vários suspeitos no caso, incluindo o clérigo que realizou os casamentos na sexta-feira.

Investigação

As detenções ocorreram depois de o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, ter ordenado uma investigação sobre o incidente.

O tribunal de Islamabad disse que vai apreciar o caso na próxima terça-feira, depois de a investigação estar concluída.

Os pais das irmãs devem comparecer à audiência.

Um importante grupo de direitos humanos, a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, instou o parlamento de Sindh a "tomar medidas rápidas e sérias para aprovar o projeto de lei que criminaliza as conversões forçadas".

O parlamento da província, o único no Paquistão que não tomou qualquer medida sobre conversões forçadas, não aprovou o projeto de lei que proibiria tais conversões em 2016.

Dezenas de ativistas de direitos humanos manifestaram-se hoje na cidade de Hyderabad, no sul do país, denunciando o sequestro de meninas e exigindo que o parlamento de Sindh adote uma lei contra as conversões forçadas.

Também hoje, os legisladores Jamshed Thomas e Shunila Ruth, do partido no Governo, apresentaram um projeto de lei na Assembleia Nacional, buscando uma legislação contra as conversões forçadas.

Com Lusa