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Jornalista filipina distinguida pela revista Time volta ser detida em Manila

É a 2.ª vez que Maria Ressa, crítica do Presidente Rodrigo Duterte é detida nas Filipinas

RAPPLER/ LEANNE JAZUL HANDOUT

A jornalista filipina Maria Ressa, crítica do Presidente Rodrigo Duterte e uma das "personalidades do ano" da revista Time em 2018, foi hoje detida, pela segunda vez, quando se encontrava no aeroporto de Manila.

“Eu queria pagar a fiança, mas eles (as autoridades) deram-me um mandado de detenção”, disse Maria Ressa aos jornalistas no aeroporto, enquanto dois oficiais a escoltavam para a carrinha policial.

A fiança, que a jornalista teria de pagar para evitar a prisão preventiva, cifra-se nos de 90.000 pesos (1.500 euros) e é esperado que seja paga nas próximas horas.

O procurador do tribunal da cidade de Pasig entrou com acusações nesta semana contra os sete filipinos que formavam, em 2016, o conselho de administração do Rappler - um portal de notícias 'online' - entre eles Ressa, a atual editora-chefe Glenda Gloria e Manuel Ayala.

Os outros acusados são James Bitanga, Nico José Nolledo, James Velasquez e Felicia Atienza, que não fazem mais parte do conselho de administração.

Todos eles, exceto Ressa, que se encontrava fora das Filipinas, pagaram a fiança na quarta-feira para evitar a prisão preventiva, cuja primeira audiência será no dia 10 de Abril.

A premiada jornalista tem acusado o Governo de Rodrigo Duterte de abusar do seu poder e de usar a lei como arma para amordaçar os críticos e o portal de notícias, a que pertence, adotou uma linha crítica contra a guerra mortal contra as drogas liderada pelo Presidente Rodrigo Duterte.

Em meados de fevereiro o departamento de Justiça apresentou acusações de "difamação cibernética" contra o portal Rappler, Maria Ressa - diretora do portal de notícias e presidente da corporação Rappler Incorporated - e o jornalista de investigação Reynaldo Santos, por um artigo publicado em maio de 2012 sobre o empresário Wilfredo Keng.

Este não é o único processo judicial que Maria Ressa enfrenta, já que em novembro de 2018 foi emitido um mandado de prisão por cinco alegados crimes de evasão fiscal, acusando tanto o portal Rappler como Maria Ressa.

Na altura, Ressa evitou a prisão com o pagamento de uma fiança e o caso está a aguardar julgamento.

A jornalista assegurou que os seus compromissos com o fisco estão em ordem e que todas essas acusações contra si e contra os media que dirige são uma perseguição política da administração de Duterte pelos seus artigos críticos da sua gestão.

O Presidente das Filipinas não esconde a sua animosidade em relação a Rappler, que acusa de ser financiado pela CIA, e proibiu em fevereiro de 2018 o acesso ao palácio presidencial a jornalistas deste meio.

Com Lusa

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