Mundo

ONU pede que Israel e Hamas evitem violência no aniversário dos protestos de Gaza

ABIR SULTAN / EPA

Um grande número de vítimas entre palestinianos desarmados e médicos "levantou preocupações" sobre o uso de força excessiva por parte de Israel.

Um responsável das Nações Unidas (ONU) instou hoje os líderes de Israel e do movimento islamita Hamas a evitarem uma escalada de violência na véspera do primeiro aniversário do início dos protestos semanais na fronteira de Gaza.

Jamie McGoldrick, funcionário humanitário da ONU para os territórios palestinianos, delineou, em comunicado, os custos humanos "desconcertantes" que um ano de manifestações infligiu, em particular às crianças de Gaza.

Segundo o comunicado, 195 palestinianos, incluindo cerca de 40 crianças, foram mortos pelas forças israelitas e quase 29.000 ficaram feridos, incluindo 7.000 por tiros.

Um grande número de vítimas entre palestinianos desarmados e médicos "levantou preocupações" sobre o uso de força excessiva por parte de Israel.

O relatório indica ainda que os protestos exacerbaram a crise humanitária na Faixa de Gaza, sobrecarregando um sistema de saúde já em tensão ao fim de 11 anos de bloqueio israelo-egípcio.

Os palestinianos de Gaza foram chamados a manifestar-se em massa no sábado ao longo da barreira que separa o enclave de Israel, numa concentração que assinala um ano dos protestos da "grande marcha do retorno".

Os protestos iniciados a 30 de março de 2018 são oficialmente organizados pela sociedade civil, mas contam com o apoio do movimento radical palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Os palestinianos exigem o direito a regressar às terras que abandonaram ou de onde foram expulsos aquando da criação do Estado de Israel em 1948 e contestam o rígido bloqueio israelita ao enclave com mais de 10 anos.

Todas as semanas, uma parte dos manifestantes palestinianos afasta-se da multidão para se aproximar da barreira, queimam pneus para dificultar a visibilidade dos atiradores israelitas colocados do outro lado, lançam engenhos incendiários na direção dos soldados, tentam danificar a barreira e expõem-se às balas.

A mobilização no sábado promete ser considerável, os organizadores apelaram à paralisação de qualquer atividade e o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, falou de uma "manifestação de um milhão" de pessoas. A Faixa é habitada por cerca de dois milhões de palestinianos.

O aniversário da "grande marcha do retorno" acontece em mais uma altura de tensão. Desde o início da semana foram disparadas por diversas vezes granadas de morteiro de Gaza contra Israel e o Estado hebreu atacou em represália dezenas de alvos no enclave.

Lusa

  • “Vamos a Jogo” acompanhou Luís Filipe Vieira no dia da reconquista
    15:21