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Visita do Papa a Marrocos visa diálogo com Islão e defesa de minoria cristã

Andrew Medichini

O diálogo inter-religioso e uma aproximação à comunidade cristã marroquina são os temas que marcam a visita agendada para 30 e 31 deste mês, a convite do rei Mohamed VI.

Youssef Boudlal

Segundo admitem responsáveis do Vaticano, a viagem terá uma dimensão muito marcada de "diálogo entre religiões" e de "fraternidade entre as várias confissões", incluindo ainda uma aproximação à comunidade marroquina de cristãos.

O convite partiu do rei marroquino, Mohamed VI, a quem o Comité de Cristãos Marroquinos tem reconhecido esforços para tornar o país mais tolerante, sobretudo depois de ter organizado, em 2016, a "Conferência sobre Minorias Religiosas em Países Islâmicos".

Francisco será recebido, no dia 30, no aeroporto de Rabat, pelo próprio Mohamed VI, sendo que o rei marroquino acompanhará o Papa durante boa parte da tarde e presidirá, com o chefe da igreja católica, a vários atos.

O primeiro desses atos consistirá numa homenagem do Papa aos anteriores reis, com Francisco e Mohamed VI a depositarem flores nas campas do pai do atual rei, mas a visita seguinte será a primeira com valor verdadeiramente "político": Mohamed VI acompanhará Francisco ao Instituto de Imãs da capital, um lugar simbólico para os líderes religiosos.

A reunião tem como objetivo uma aproximação entre os representantes de duas das maiores religiões do mundo, sendo precisamente na esplanada da mesquita Hassan que Francisco fará o seu primeiro discurso naquele país.

O discurso será feito perante autoridades marroquinas, representantes da sociedade civil e do corpo diplomático, mas também cidadãos anónimos.

Francisco planeia também visitar um grupo de imigrantes num centro social da Cáritas local, segundo informou a Santa Sé.

A visita é esperada com grande expectativa pelos cristãos marroquinos que anseiam por uma possível interferência do Papa em relação aos seus direitos naquele país.

Numa carta enviada há cerca de duas semanas ao Vaticano, os cristãos marroquinos pediram ao Papa que interceda por eles, durante a visita a Rabat, para lhes garantir o direito a praticar a sua fé naquele país do Magrebe.

Na carta, representantes dos cristãos marroquinos pedem que o Papa reconheça ser legítimo "aspirar a ter liberdades básicas", como o culto público, o direito ao casamento eclesiástico ou civil e a rituais funerários cristãos.

Os cristãos também pedem que os seus filhos possam ser dispensados das aulas de religião muçulmana (obrigatórias nas escolas marroquinas) e que tenham a liberdade de dar nomes bíblicos (e não islâmicos) às crianças.

Segundo a Constituição marroquina, a religião oficial do país é o islamismo sunita e a única minoria reconhecida é a comunidade judia, instalada há séculos naquele país.

Como o exercício da fé cristã é clandestino, não existem estatísticas sobre os cristãos marroquinos e os únicos números aproximados são norte-americanos e de 2017, estimando-se que esta população se situe entre as 2.000 e as 6.000 pessoas.

Também alguns sindicatos e associações de defesa do povo sarauí pediram ao Papa Francisco que interceda pelo fim da "ocupação do Saara Ocidental", conflito que atualmente se baseia na tentativa do autoproclamado Estado, a República Árabe Sarauí Democrática, para obter a independência.

No domingo, o dia terá início com uma visita do Papa ao Centro Rural de Serviços Sociais do município de Temara, no sul de Rabat, a que se seguirá uma ida à catedral da capital. Aqui Francisco terá um encontro com sacerdotes e outros religiosos e com o Conselho Ecuménico das Igrejas, altura em que acontecerá outro dos momentos-chave da visita: o Angelus, uma oração importante para os católicos e em que o papa faz, habitualmente, os principais apelos.

A viagem será concluída a seguir ao almoço com uma cerimónia de despedida no aeroporto de Rabat, de onde Francisco sairá às 17:15 locais (16:15 em Lisboa).

A visita a Marrocos acontece cerca de um mês depois de Francisco se ter tornado o primeiro líder da Igreja Católica a pisar o solo do chamado "berço do Islão", numa visita aos Emirados Árabes Unidos.

Desde o início do seu pontificado, o Papa já se deslocou a vários países cuja população é maioritariamente muçulmana, como o Egito, o Azerbaijão, o Bangladesh e a Turquia.

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