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Sociais-democratas favoritos nas legislativas de domingo na Finlândia

Apoiados por um eleitorado disposto a castigar o governo de centro-direita pela austeridade dos últimos quatro anos.

A Finlândia realiza no domingo eleições legislativas com as sondagens a mostrarem como favoritos os sociais-democratas, na oposição.

O executivo de coligação entre os centristas, conservadores e nacionalistas, liderado por Juha Sipila, entrou em funções quando o país registava três anos consecutivos de recessão.

Cortes significativos foram aplicados na educação, saúde e prestações sociais e, segundo números oficiais, a economia recuperou, registando um crescimento médio anual de 2% e uma redução do défice público dos 3,2% de 2014 para 0,6% em 2018.

Os efeitos dos cortes fizeram-se sentir sobretudo entre os pensionistas, famílias com crianças, estudantes e desempregados, e as sondagens refletem o desagrado dos eleitores com o governo.

O mais castigado é claramente o Partido do Centro de Sipila, que na mais recente sondagem, divulgada na quinta-feira pela televisão Yle, deverá passar para quarta força política, com 14,5%, menos 6,6 pontos percentuais que nas eleições de 2015.

Em contrapartida, o Partido Social-Democrata (SDP), de Antti Rinne, que nas últimas legislativas teve o pior resultado da sua história, surge agora como partido mais votado, com 19%, o que, a confirmar-se, o coloca em posição de formar governo.

Apesar de, nas últimas semanas, os sociais-democratas terem vindo a perder pontos nas sondagens, depois de Rinne ter defendido um aumento dos impostos indiretos para financiar o sistema de proteção social num país em acentuado envelhecimento populacional.

Os outros dois partidos do governo de Sipila - o Partido da Coligação Nacional (Kokoomus, conservador), do ministro das Finanças, Petteri Orpo, e os Verdadeiros Finlandeses (nacionalista) - são menos penalizados, alternando nas sondagens como segundo e terceiro partidos, com percentagens entre os 15,9 e os 16,3.

Os Verdadeiros Finlandeses, que foram expulsos do governo de coligação em 2017, parecem animados de um 'terceiro fôlego', que analistas atribuem ao endurecimento do discurso anti-imigração.

O partido foi uma formação marginal até às eleições de 2011, quando duplicou a sua votação, para os 19%, e tornou-se na terceira força política da Finlândia.

Na altura acabou por não integrar a coligação governamental pela oposição, em plena crise do euro, ao resgate financeiro de Portugal, a que a Finlândia só podia dar luz verde na União Europeia com o apoio do parlamento nacional.

Nas legislativas de 2015, os Verdadeiros Finlandeses obtiveram 17,6%, com o voto sobretudo das classes trabalhadoras, e entraram para o governo de coligação de centristas e conservadores.

Na altura, o partido tentou amenizar a sua imagem internacional, mudando o nome oficial em inglês para Finns Party (Partido dos Finlandeses), embora mantendo a designação Verdadeiros Finlandeses nas duas línguas oficiais, finlandês e sueco.

A meio da legislatura, marcada pela política de austeridade e pela chegada ao país de milhares de refugiados, o partido tinha perdido quase metade do apoio popular, registando 10% das intenções de voto.

Por essa altura, 2017, o deputado da ala mais radical e xenófoba do partido, Jussi Halla-aho, foi eleito presidente da formação, o que levou a um endurecimento da linha política e acabou com a expulsão dos Verdadeiros Finlandeses do governo e com uma cisão interna, com os moderados a formarem um novo partido, o Reforma Azul, que integrou a coligação governamental.

Na referida sondagem da Yle, os Verdadeiros Finlandeses recolhem 16,3% de votos e a Reforma Azul apenas 0,8%, arriscando ficar fora do parlamento.

Uma tal votação no partido nacionalista e eurocético pode complicar os planos dos sociais-democratas, que, segundo analistas, avaliam a possibilidade de, a confirmar-se a vitória, se coligarem com os conservadores do Partido da Coligação Nacional, os ecologistas Verdes e os liberais do Partido Popular Sueco da Finlândia.

Lusa

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