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Supremo Tribunal de Myanmar rejeita recurso de jornalistas da Reuters

Em janeiro, os dois repórteres tinham sido novamente condenados, em segunda instância, a sete anos de prisão.

O Supremo Tribunal de Myanmar rejeitou hoje o recurso dos dois jornalistas da agência de notícias Reuters e confirmou as sentenças de prisão de sete anos na sequência de reportagens sobre a repressão militar contra a minoria muçulmana rohingya. À saída do Supremo Tribunal, o advogado de defesa disse que a decisão compromete a liberdade de imprensa no país. Também as mulheres dos dois jornalistas saíram desapontadas.

Wa Lone e Kyaw Soe Oo, no início deste mês, partilharam com os seus colegas da Reuters o Prémio Pulitzer de reportagem internacional, uma das maiores distinções do jornalismo.

Os dois jornalistas, condenados por investigarem o massacre dos rohingyas pelo exército de Myanmar, apresentaram a 26 de março o seu último recurso ao Supremo Tribunal do país.

Wa Lone e Kyaw Soe Oo foram considerados culpados de ter infringido a lei sobre os segredos de Estado, que data da era colonial.

LYNN BO BO/ EPA

Os dois jornalistas foram acusados de se terem apoderado de documentos classificados como secretos relativos às operações das forças de segurança no Estado de Rakhine, região do noroeste de Myanmar, palco das atrocidades cometidas contra a minoria muçulmana rohingya do país.

Quando foram detidos, em dezembro de 2017, estavam a investigar o massacre de rohingyas em Inn Din, uma aldeia do norte do Estado de Rakhine.

Desde então, o Exército reconheceu que realmente tinham sido cometidas atrocidades em setembro de 2017, e sete militares foram condenados a dez anos de prisão.

Ambos os repórteres declararam sempre ter sido enganados, e um dos polícias que testemunhou no julgamento admitiu que o encontro durante o qual os documentos secretos lhes foram entregues foi “uma armadilha” destinada a impedi-los de prosseguir o seu trabalho.

Desde 2017, mais de 700.000 rohingyas abandonaram a região, fugindo à violência do exército birmanês e de milícias budistas e refugiaram-se em campos improvisados no vizinho Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo.

Lusa

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