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Líderes do movimento dos guarda-chuvas em Hong Kong condenados até 16 meses de prisão

Os ativistas Raphael Wong, Tommy Cheung Sau-yin, Lee Wing-tat, Chan Kin-man, Benny Tai, Reverendo Chu Yiu-ming, Tanya Chan e Shiu Ka-chun antes de anunciada a sentença em Hong Kong.

JEROME FAVRE / EPA

Movimento mobilizou milhares de pessoas durante 79 dias em 2014 para exigir avanços democráticos em Hong Kong.

Os principais líderes do movimento dos guarda-chuvas, que mobilizou milhares de pessoas em 2014 para exigir avanços democráticos em Hong Kong, foram hoje condenados a penas até um máximo de 16 meses de prisão efetiva.

As sentenças foram ouvidas esta manhã num tribunal de Hong Kong, onde se reuniu uma multidão de manifestantes, duas semanas depois de nove líderes daquele que foi o maior movimento de desobediência da história do território terem sido considerados culpados de vários crimes.

A pena mais pesada - 16 meses de prisão efetiva - foi aplicada a dois dos fundadores do movimento "Occupy Central", em 2013: Chan Kin-man, de 59 anos, professor de sociologia, e Benny Tai, professor de direito.

À porta do tribunal, em declarações aos repórteres antes de ouvir a sentença, Tai tinha afirmado estar "tranquilo e esperançoso".

O terceiro mentor do "Occupy Central", Chu Yiu-ming, de 74 anos, ministro da Igreja Batista de Chai Wan em Hong Kong, foi também condenado a 16 meses de prisão, mas com pena suspensa.

Os três tinham sido considerados culpados de conspirarem para perturbar a ordem pública e de incitarem ao motim através da obstrução ilegal de lugares públicos, bem como de incitar e mobilizar manifestantes "para alterar a ordem pública”.

O juiz do tribunal West Kowloon aplicou também pena de prisão efetiva a Shiu Ka-chun e Raphael Wong Ho-ming, que terão de cumprir oito meses, enquanto a ex-líder estudantil Eason Chung Yua-wa e o ex-deputado democrata Lee Wing-tat foram sentenciados a oito meses de pena suspensa.

A justiça ordenou ainda 200 horas de serviço comunitário para Tommy Cheung e adiou a sentença de Tanya Chan, até 10 de junho, devido à necessidade de se submeter a uma cirurgia.

O julgamento foi denunciado por defensores dos direitos humanos, preocupados com a liberdade na antiga colónia britânica que regressou à China em 1997 e com o domínio crescente de Pequim.

Os nove líderes, que enfrentavam penas que podiam ir até sete anos por cada acusação, são os últimos ativistas condenados pelos protestos que se prolongaram por 79 dias em 2014, em Hong Kong.

Vários ativistas foram já julgados pelo Ministério da Justiça, estando a cumprir penas de prisão. Alguns foram proibidos de concorrer às eleições e outros foram desqualificados do Conselho Legislativo da região administrativa especial chinesa.

Entre 28 de setembro e 15 de dezembro de 2014, centenas de milhares de pessoas paralisaram quarteirões inteiros da antiga colónia britânica para exigir o sufrágio universal na escolha do chefe do Executivo de Hong Kong, nomeado por uma comissão pró-Pequim. Mas as autoridades chinesas não recuaram.

Em 28 de setembro, o movimento "Occupy Central" decretou o início da sua campanha de desobediência civil, juntando-se a outros protestos em curso há dois dias junto à sede do Governo de Hong Kong.

A ação da polícia desencadeou manifestações mais importantes, levando ao movimento pró-democracia, também conhecido como a "revolta dos guarda-chuvas", usados pela multidão para se protegerem das granadas de gás lacrimogéneo.

Chan, Tai e Chu renderam-se à polícia em dezembro de 2014, pondo fim ao movimento "Occupy Central".

Recentemente, o cancelamento de eventos literários e artísticos e a recusa em permitir a entrada de um jornalista em Hong Kong reacenderam a preocupação com a liberdade de expressão naquele território administrado pela China.

Em 1997, na transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China foi prometida uma semiautonomia durante 50 anos, que permitiria manter os direitos de reunião e liberdade de expressão no território.

Lusa

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