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Presidente do Governo Regional do Príncipe diz que naufrágio "não pode ficar impune"

MIGUEL MADEIRA

O naufrágio do navio, que fazia a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, causou pelo menos sete mortos, entre os quais quatro crianças.

O presidente do Governo Regional do Príncipe, José Cassandra, disse esta quinta-feira que o naufrágio do navio Amfitriti, que provocou sete mortos e 10 desaparecidos, "não pode ficar impune", lamentando que a ilha venha sendo afetada por acidentes marítimos nos últimos anos.

"Eu quero apelar a toda a população do Príncipe para que estejamos unidos. Pensamos que essa tragédia não pode ficar impune, tem que se fazer um inquérito profundo para se apurar responsabilidades e atuar em conformidade", disse José Cassandra, numa comunicação na cidade de Santo António, capital da ilha do Príncipe.

O naufrágio do navio, que fazia a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, causou pelo menos sete mortos - quatro crianças e três adultos - e 10 desaparecidos, tendo sido resgatadas 55 pessoas com vida. Destas, três foram transportadas para São Tomé por estarem feridas com gravidade.

Segundo o primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus, o "Amfitriti" partiu na noite de quarta-feira de São Tomé com 64 passageiros e oito tripulantes a bordo, tendo sido enviado um alerta de naufrágio, por um outro navio, às 04:00 desta quinta-feira.

Nas suas declarações, o presidente do Governo Regional afirmou que estavam "registados três estrangeiros que vinham no barco", duas cidadãs portuguesas e um francês, embora tenha indicado tratar-se de "informações não confirmadas".

"Ao povo português e aos familiares desses estrangeiros, manifestar a nossa total solidariedade", disse José Cassandra.

"Este é um momento de dor, um momento de luto e eu gostaria de mais uma vez apelar à população do Príncipe [para que tenha] a maior serenidade para podermos ter discernimento suficiente para irmos controlando a situação que vivemos hoje", afirmou.

O governante lamentou que os acidentes marítimos já se arrastem "há mais de 15 anos", prejudicando a população da região.

"Nós vimos registando que, ao longo destes anos, o Príncipe vai perdendo os seus filhos, as famílias vão perdendo os seus familiares e a população do Príncipe vai ficando mais pobre, do ponto de vista social, cultural e material", lamentou o governante.

O chefe do executivo regional afirmou estar em "permanente comunicação" como o Presidente da República, Evaristo Carvalho, o presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves, bem como com o primeiro-ministro, que, referiu, "estão a acompanhar de perto a situação, manifestando a solidariedade total", que agradeceu "de coração".

Cassandra enviou ainda um agradecimento às entidades privadas que operam na região autónoma do Príncipe e que prestaram apoio "na tentativa de salvar mais vidas", nomeadamente disponibilizando um helicóptero privado e duas pequenas embarcações, referindo ainda que tem recebido "palavras de consolo" das missões diplomáticas e membros de várias instituições.

O Governo Regional suspendeu todas as atividades políticas, recreativas e culturais alusivas ao aniversário da autonomia da região, que se celebraria a partir deste fim-de-semana, tendo decretado três dias de luto.

A Marinha portuguesa está a apoiar as operações de busca e salvamento, através do navio NRP Zaire, que se encontra em missão em São Tomé e Príncipe.

As causas do acidente são ainda desconhecidas.

O navio, que transportava uma carga de 212 toneladas, tem capacidade para 250 passageiros sentados e carga.

Lusa