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Chefe da oposição trabalhista britânica vai boicotar jantar com Trump

ANDY RAIN

Jeremy Corbyn acusa Trump de desrespeitar tratados internacionais vitais, apoiar a negação das alterações climáticas e usa uma retórica racista e misógina.

O líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn recusa sentar-se à mesma mesa que o Presidente norte-americano Donald Trump, esperado em vista de Estado ao Reino Unido entre 03 e 05 de junho, anunciou esta sexta-feira o seu partido.

"Hoje, Jeremy Corbyn declinou o convite para o jantar de Estado com Donald Trump", anunciou o Partido Trabalhista (Labour). O líder trabalhista, citado no comunicado, considera que a primeira-ministra conservadora britânica Theresa May "não deveria estender a carpete vermelha de uma visita de Estado para honrar um Presidente que desrespeita os tratados internacionais vitais, apoia a negação das alterações climáticas e usa uma retórica racista e misógina".

"Manter uma relação importante com os Estados Unidos não requer a pompa e da cerimónia de uma visita de Estado", acrescentou Corbyn, que, no entanto, disse estar pronto a encontrar-se com Trump "para discutir qualquer assunto interessante".

May convidou o ocupante da Casa Branca na sua investidura em janeiro de 2017, mas a visita de Estado inicialmente anunciada foi transformada em simples "visita de trabalho" em junho de 2018, face aos apelos a manifestações devido às posições de Donald Trump, designadamente sobre a imigração.

Na ocasião, Downing Street sublinhou que permanecia atual uma visita de Estado.

Ao contrário de uma vista de trabalho, uma visita de Estado implica geralmente a mobilização de grandes meios, em particular no decurso dos cortejos automóveis e dos banquetes.

"A seu tempo serão anunciados mais detalhes sobre o programa [da visita]", indicou o Palácio de Buckingham que anunciou a visita na terça-feira. Ativistas e militantes já prometeram "inundar a capital com centenas de milhares de manifestantes" contra a visita de Trump.

Em 2018, a sua deslocação ao Reino Unido fez descer à rua dezenas de milhares de pessoas que se manifestaram contra um Presidente norte-americano "misógino, homofóbico, xenófobo".

Lusa