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Trump nega pagamento de dois milhões à Coreia do Norte por morte de jovem

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Otto Warmbier morreu em 2017.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou esta quinta-feira que o seu Governo tenha pago dois milhões de dólares (1.794 milhões de euros) à Coreia do Norte pelo tratamento médico de Otto Warmbier que morreu em 2017.

"Nenhum dinheiro foi pago à Coreia do Norte por Otto Warmbier, nem dois milhões de dólares, nem nada", escreveu Trump na sua conta da rede social Twitter, numa reação à informação publicada na quinta-feira pelo jornal Washington Post.

O Post noticiou que a Coreia do Norte exigiu em 2017 que um funcionário norte-americano assinasse um acordo de pagamento de dois milhões de dólares para que o jovem Otto Warmbier, que estava em coma há mais de um ano, pudesse regressar aos Estados Unidos.

Segundo o jornal, que citou duas pessoas com conhecimento da situação, o funcionário enviado pelo Departamento de Estado para regressar com Warmbier, Joseph Yun, assinou o acordo para pagar a conta médica seguindo as instruções do próprio Donald Trump.

Joseph Yun consultou o então Secretário de Estado, Rex Tillerson, e este, por sua vez, falou com Trump, que o aprovou, explicou o Post.

Yun regressou aos EUA num avião médico para Cincinnati, cidade em Ohio, onde residem os pais de Warmbier e onde o jovem, de 22 anos, morreu seis dias depois devido problemas decorrentes de danos cerebrais nunca especificados.

A conta chegou ao Departamento do Tesouro, onde permaneceu sem ser paga durante 2017.

O jornal norte-americano referiu ainda que não está claro se o Governo dos EUA pagou posteriormente ou se a questão foi abordada durante a preparação das duas cimeiras realizadas entre o Presidente dos EUA, Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-Un.

Antes do 'tweet' de Donald Trump, a Casa Branca recusou-se a comentar sobre as informações do jornal Washington Post salientando que a sua política é "não comentar sobre as negociações de reféns".

O Governo dos EUA manteve, desde há várias décadas, a posição de não pagar resgates pela libertação de norte-americanos, embora, em 2015, o então presidente dos EUA, Barack Obama, tenha autorizado que as famílias dos reféns pudessem fazê-lo por conta própria.

Em dezembro de 2018, um juiz federal dos Estados Unidos ordenou à Coreia do Norte o pagamento de uma indemnização de meio milhão de dólares pela morte do jovem norte-americano detido no país asiático.

O juiz Beryl A. Howell, do distrito de Columbia, aponta o regime de Pyongyang como responsável pela morte de Otto Warmbier, acusando o país de "tortura, tomada de refém e assassínio extrajudicial".

O jovem de 22 anos foi detido quando visitava o país como turista e foi condenado a 15 anos de prisão com trabalhos forçados por alegadamente tentar roubar um cartaz de propaganda no hotel em que estava alojado na capital da Coreia do Norte.

O seu julgamento, em março de 2016, foi a última aparição pública de Warmbier, que entrou em coma pouco depois e acabou por morrer em junho de 2017, depois de ter sido libertado.

As autoridades norte-coreanas afirmam que Warmbier teve uma crise de botulismo e que entrou em coma depois de lhe ter sido dado um comprimido para dormir, o que a família contesta.

Os pais de Otto Warmbier processaram judicialmente a Coreia do Norte em abril de 2018 e pediram uma indemnização de mil milhões de dólares por danos.

O Governo da Coreia do Norte não esteve representado no processo e é praticamente impossível que venha a pagar qualquer indemnização, cujo pedido tem apenas valor simbólico.

Lusa

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