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Mergulhadores e fuzileiros portugueses nas operações de busca em São Tomé

Há nove pessoas desaparecidas no naufrágio que fez pelos menos oito mortos.

Os seis mergulhadores e dois fuzileiros portugueses deslocados para São Tomé e Príncipe para ajudar nas operações de busca dos desaparecidos no naufrágio do navio “Amfitriti” já estão no local, disse hoje à Lusa o comandante do navio “Zaire”.

Cerca das 08:30 de hoje (07:30 locais) o primeiro-tenente Borges Mendes, comandante do navio da Marinha portuguesa "Zaire", em missão em São Tomé e Príncipe, encontrava-se no porto daquele país a embarcar a equipa portuguesa, como contou à agência Lusa.

“Neste momento, estou no porto de São Tomé a embarcar uma equipa de mergulhadores e dois fuzileiros equipados com drones que vieram de Portugal e chegaram esta madrugada para apoiar nas ações de busca” dos desaparecidos no naufrágio, adiantou Borges Mendes, em declarações telefónicas à agência Lusa.

O primeiro-tenente disse que tenciona “largar ainda no período da manhã para regressar às operações”, mas sublinhou que é preciso analisar se existem condições de segurança para a realização de operações de mergulho para verificar se ainda existem pessoas no interior do navio, uma vez que se trata de “uma operação muito complexa”.

Segundo o comandante, ainda se encontram nove pessoas desaparecidas.

Questionado sobre a possibilidade de entre os desaparecidos estarem duas portuguesas, afirmou que não tem informação que “confirme ou desconfirme essa situação”.

O primeiro-tenente realçou o facto de se ter conseguido projetar em “oito horas” uma equipa de Portugal para São Tomé para auxiliar nas operações de busca e salvamento

“Toda esta projeção da equipa que veio de Portugal só foi possível com o apoio de entidades como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), da Alfândega, bem como o apoio das autoridades locais”, disse.

Questionado pela Lusa sobre quanto tempo podem demorar as operações de socorro, Borges Mendes disse tratar-se de uma “missão muito complexa”, sendo importante assegurar e avaliar as condições de segurança.

“Acima de tudo devemos trabalhar em segurança e não definir metas”, disse, rematando: “estamos a efetuar um esforço para localizar todas as pessoas desaparecidas”.

Quando se deu o naufrágio na madrugada de quinta-feira, o navio "Zaire", com uma guarnição constituída por militares portugueses e são-tomenses, navegou de imediato para o local e tem estado a participar nas operações.

Borges Mendes recordou o cenário que encontrou quando chegou ao local: “o navio ‘Amfitriti’ ainda se encontrava naufragado à superfície, verificámos a existência de diversos destroços em seu redor, bem como manchas de combustível, o que impossibilitou logo nas primeiras horas utilizarmos uma equipa de mergulhadores de São Tomé que se encontrava a bordo do Zaire”.

“Mal chegámos iniciámos buscas até à hora do pôr do sol e mantivemo-nos na área para garantir a segurança da navegação, uma vez que o navio estava a flutuar”, recordou.

No dia seguinte, “continuámos as ações de busca na área, tendo localizado uma das pessoas desaparecidas”.

Sobre as possíveis causas do naufrágio, Borges Mendes disse que, “neste momento, ainda se vão apurar”.

Presidente e primeiro-ministro de São Tomé na ilha do Príncipe

O navio “Amfitriti”, que fazia a ligação entre as ilhas de São Tomé e do Príncipe, uma viagem que dura entre seis e oito horas, zarpou do porto de São Tomé na noite de quarta-feira com destino à cidade de Santo António e naufragou já perto da ilha do Príncipe.

A bordo viajavam 64 passageiros e oito tripulantes e o navio transportava 212 toneladas de carga.

Segundo as autoridades locais, o acidente causou a morte de quatro crianças e quatro adultos e nove desaparecidos, tendo sido resgatadas 55 pessoas com vida.

Com Lusa

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