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Onda de revolta com "indústria cruel" que recomeça um desfile após a morte de modelo

LECO VIANA

Onda de revolta nas redes sociais contra a organização da Semana da Moda de São Paulo.

A morte do modelo brasileiro que colapsou durante um desfile na Semana da Moda de São Paulo (SPFW) lançou um debate sobre o que muitos acusam ser “falta de ética” por parte da organização, que decidiu recomeçar o desfile depois do episódio.

Nas redes sociais começam a surgir protestos contra a indústria da moda, muitos deles por parte de profissionais da área que se têm mostrado chocados com a decisão de continuar o desfile “como se nada tivesse acontecido”.

“Criámos uma indústria onde as pessoas morrem e o espetáculo continua”, escreveu um dos críticos citado pelo portal R7.

Para o jornalista Eduardo Viveiros, presença comum há mais de 20 anos na SPFW, esta é a primeira vez que assistiu a uma atitude que classifica como “passar em cima de alguém, quase literalmente” de uma "indústria cruel". Apesar de já não se chocar com “brigas de ego e de estruturas dissonantes”, mostrou-se atónito pela organização ter tentado fingir que estava tudo bem.

Tales Soares, conhecido como Tales Cotta, acabou por falecer depois de um súbito mau estar em palco no sábado. Para quem estava no local, não havia condições para continuar o desfile, mas a apresentação recomeçou assim que o modelo foi socorrido.

A notícia chegou também à designer Juliana Ali, que se disse orgulhosa por não fazer parte de um “universo frio, datado, movido por aparências, desumano e elitista”.

Face às críticas, a organização da Semana da Moda de São Paulo divulgou um comunicado no qual informa ter-se reunido com marcas, diretores de desfiles, estilistas e modelos próximos de Tales, tendo-lhes dado a opção de cancelar a programação, que recusaram.

A mãe do modelo também já se pronunciou sobre a situação.

“Cancelar iria trazê-lo de volta? Nem ele gostaria disso, era muito profissional.”