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Israel levanta restrições a civis de Gaza após anúncio de cessar-fogo

MOHAMMED SABER

Não há registo de lançamentos de rockets contra território israelita desde a madrugada.

Israel levantou as restrições ao movimento da população civil de Gaza após o anúncio, durante a madrugada, do cessar-fogo que pôs fim a dois dias de violência que fez 27 mortos.

“A partir das 07:00 (04:00 em Lisboa), todas as restrições de proteção vão ser levantadas”, informou o Exército israelita num breve comunicado enviado aos meios de comunicação locais destacando que as partes em confronto alcançaram as tréguas com a ajuda da mediação do Egito, Qatar e Nações Unidas.

O Governo israelita ainda não confirmou oficialmente o cessar-fogo.

Anteriormente, fontes palestinianas referiam que o cessar-fogo entraria em vigor a partir das 04:30 (01:30 em Lisboa) e desde essa hora não se voltaram a registar lançamentos de foguetes contra território israelita.

Os últimos alarmes foram ativados às 02:30 (23:30 de domingo) junto à Faixa de Gaza numa altura em que Israel lançava o último ataque contra 30 objetivos do Hamas e da Jhiad Islâmica: plataformas de lançamento de foguetes, um centro de operações militares e locais de treino.

Entretanto, o ex-chefe do Estado-Maior de Israel, o atual deputado Benny Gantz, criticou o cessar-fogo assinalando que a trégua é uma “rendição à chantagem do Hamas e das organizações terroristas”.

Ganz disse que em caso de nova escalada de violência a “resposta deve ser severa”.

De acordo com os meios de comunicação social palestinianos, o Hamas exigiu na negociação das tréguas a implementação dos termos estabelecidos após os acordos alcançados no fim da última vaga de violência, no passado mês de março.

As exigências estão relacionadas com a melhoria de condições em Gaza; expansão das áreas de pesca frente à costa do enclave e a autorização por parte de Israel sobre a entrada de capital enviado pelo Qatar assim como bens essenciais e ajuda humanitária.

Fogo cruzado entre Israel e Hamas

Na manhã de sábado as milícias palestinianas em Gaza dispararam 690 foguetes (240 foram intercetados pelo sistema antimíssil israelita).

Israel respondeu com 350 ataques contra “posições militares” palestinianas.

Tratou-se do confronto mais violento na zona desde a guerra de 2014.

Nos últimos dois dias morreram 23 palestinianos, entre os quais duas crianças e duas mulheres grávidas e quatro civis israelitas.

O Exército israelita nega que a morte de uma das mulheres grávidas e de um menor tenha sido provocada pelos disparos do Exército afirmando que foram vítimas de um foguete que caiu atrás das linhas palestinianas.

Lusa