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MP brasileiro vai investigar caso de carro de família baleado com 80 tiros

Ricardo Moraes

Bolsonaro diz que disparos foram um "incidente".

O Ministério Público brasileiro (MP) anunciou esta quarta-feira que vai investigar a ação dos militares que dispararam 80 tiros contra um carro no Rio de janeiro, no mês passado, e que resultou na morte de duas pessoas.

Os disparos provocaram a morte imediata de Evaldo Santos Rosa, músico de 51 anos, e condutor do veículo, e de Luciano Macedo, um transeunte que passava no local no momento dos disparos e que tentou socorrer a família que seguia no veículo, acabando também ele por ser baleado mortalmente.

"O MP ressalta a necessidade de averiguar as circunstâncias em que os factos ocorreram, tendo em vista a lesão aos serviços e interesses do Estado, devido à participação de agentes federais no exercício da função", refere esta entidade na sua página na internet.

Os militares desferiram 80 tiros contra o carro, no qual seguiam cinco pessoas que estavam a caminho de um evento familiar.

Além de Evaldo Santos Rosa, encontravam-se no veículo a sua mulher, o filho de ambos de 7 anos, o sogro e uma amiga do casal.

Segundo testemunhas, mesmo depois de o veículo estar parado, os militares continuaram a disparar e, quanto decorriam os disparos, a mulher de Evaldo, a amiga e o filho do casal rastejaram para fora da viatura.

O MP brasileiro informa ainda que, em 9 de abril deste ano, "a 7.ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria-Geral da República expediu uma orientação acerca da inconstitucionalidade da Lei que transferiu para a Justiça Militar a competência para julgamento dos crimes dolosos contra a vida cometidos" por militares das Forças Armadas contra civis.

"O órgão compreende que é função institucional do MP Federal exercer o controlo externo da atividade policial, bem como impulsionar a investigação preliminar e o processo penal", adianta o Ministério Público em comunicado.

A Justiça Militar brasileira determinou no mês passado a prisão preventiva de nove dos 10 militares suspeitos de terem efetuado os disparos.

Num primeiro momento, os militares foram detidos por terem desrespeitado as normas de abordagem do Exército.

Com a decisão da Justiça Militar brasileira, nove militares estão detidos preventivamente por suspeitas de homicídio doloso e tentativa de homicídio.

Os militares que dispararam sobre o carro alegaram ter confundido o veículo com um outro que seria dirigido por criminosos.

Lusa