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Angola recebe em setembro 2.º exercício militar da CPLP para testar operações de paz

O exército de Angola já fez parte de exercícios militares da CPLP e, em 2014, participou no campeonato mundial de biatlo de tanques no polígono de Alabino, na região de Moscovo.

Maxim Shemetov

Nove anos depois do 1.º "Exercício Felino" das Forças Armadas da CPLP, Angola volta a ser palco de mais dois exercícios militares em setembro, para atestar a capacidade em missões de apoio à paz e de ajuda humanitária

ARMANDO FRANCA

Segundo o Jornal de Angola, a indicação foi avançada na quarta-feira, em Luanda, pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA), Egídio de Sousa e Santos, na Conferência Inicial de Planeamento dos "Exercícios Felino 2018/2019", coorganizados por Angola e São Tomé e Príncipe.

A primeira das duas ações, que vão decorrer na vila da Catumbela, município do Lobito, província de Benguela, deveria ter sido realizada em 2018 em São Tomé e Príncipe, mas, "por motivos atendíveis", segundo Egídio Sousa Santos, acabou por ser adiada.

O CEMGFA angolano realçou que, para não quebrar o ciclo, Angola prontificou-se a realizar, este ano, os dois simulacros, o "Felino 2018", em carta, seguido do "Felino 2019", com forças no terreno, para ensaiar missões futuras de caráter humanitário, ajuda e salvamento.

"O facto de Angola acolher, pela segunda vez, a realização do exercício militar é motivo de satisfação e reforça a confiança já granjeada no seio da comunidade, no cumprimento das missões no quadro dos compromissos internacionais", afirmou o chefe do Estado-Maior General das FAA.

Os exercícios acontecem na vila da Catumbela pelo facto de a localidade ter sido assolada por inundações, e com muitas famílias a clamarem por ajuda humanitária, acrescentou.

Sob o lema "Operações de Apoio à Paz e de Ajuda Humanitária", o "Exercício Felino" será desenvolvido por uma força no terreno, constituída por subunidades representativas e conjuntas das FAA, sob a direção de um comando do Estado-Maior de uma "task-force" conjunta e combinada da CPLP.

A equipa integrará oficiais militares de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Egídio de Sousa lembrou a participação de Angola, "com sucesso", no ano passado, na Missão de Prevenção da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) no Lesoto, que visou a estabilização da situação política e militar naquele país africano membro da organização regional.

O oficial militar falou também da experiência do país no acolhimento de refugiados de países vizinhos e da recente participação de Angola nas operações de ajuda humanitária ao povo de Moçambique, vítimas do ciclone Idai, para onde movimentou um contingente de 111 efetivos e doou 40 toneladas de meios diversos.

Para reforçar a missão de ajuda humanitária e de solidariedade a Moçambique, Angola disponibilizou dois helicópteros na cidade da Beira, para atender as operações de busca e salvamento.

Trata-se da segunda vez que Angola recebe o "Exercício Felino", depois do realizado em setembro de 2010, na localidade de Cabo Ledo, 120 quilómetros a sul de Luanda, com efetivos das Forças Armadas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, altura em que a Guiné Equatorial ainda não era Estado membro da CPLP - a adesão concretizou-se em 2014.