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Unicef resgata 900 crianças-soldado na Nigéria

Todos os jovens serão colocados em planos de reintegração para poderem regressar à vida cicíl.

Quase 900 crianças, das quais mais de 100 meninas, foram hoje resgatadas a um grupo armado do Nordeste da Nigéria e vão agora ser alvo de programas de reintegração, anunciou a Unicef.

As crianças, 894 no total, foram libertadas das fileiras da Civilian Joint Task Force em Maiduguri, no nordeste da Nigéria, na sequência de um acordo assinado em 2017, em que o grupo se comprometeu a adotar medidas para acabar com o recrutamento de crianças-soldados.

Com a libertação de hoje, sobe para 1.727 o número de crianças e jovens resgatados desde 2017, sublinha a Unicef, em comunicado hoje divulgado.

"Qualquer compromisso para a libertação das crianças é um passo na direção certa para a proteção dos direitos das crianças e deve ser reconhecido e encorajado", referiu o representante da Unicef na Nigéria, Mohamed Fall, citado no comunicado.

"As crianças do Nordeste da Nigéria suportaram o peso deste conflito. Elas têm sido usadas por grupos armados como combatentes e não-combatentes e testemunharam a morte, o assassínio e a violência", lembrou o representante da Unicef.

"Esta participação no conflito teve sérias implicações no seu bem-estar físico e emocional", acrescentou.

"Não podemos desistir de lutar pelas crianças quando estas ainda são afetadas pelos combates. Continuaremos até que não haja mais crianças nas fileiras de todos os grupos armados na Nigéria", prometeu Mohamed Fall.

De acordo com a Unicef, as crianças e jovens hoje libertados vão ser alvo de programas de reintegração para regressar à vida civil.

"Sem este apoio, muitas das crianças libertadas dos grupos armados têm grandes dificuldades na adaptação à vida civil, dado que a maioria não tem competências escolares ou profissionais", refere a organização das Nações Unidas.

A Unicef refere que o atual conflito armado no Nordeste da Nigéria levou ao recrutamento, entre 2013 e 2017, de mais de 3.500 crianças, com o objetivo de serem usadas por grupos armados não-estatais.

"Outras foram raptadas, mutiladas, violadas e mortas", acrescenta a organização

Nos anos de 2017 e 2018, cerca de 9.800 pessoas, anteriormente associadas a grupos armados, bem como crianças vulneráveis, estiveram em programas de reintegração organizados pelas Nações Unidas.

Lusa.