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Advogado de Trump cancela viagem à Ucrânia para pedir investigação sobre Joe Biden

Regis Duvignau

Um dia depois de ser anunciada, Rudy Giuliani suspendeu a deslocação para pedir às autoridades desse país que investigassem o ex-vice-Presidente dos Estados Unidos Joe Biden.

Jim Young

"Não irei à Ucrânia", disse Giuliani nessa mesma noite à cadeia televisiva norte-americana Fox, culpando os democratas de o acusarem de tentar retirar dividendos políticos da sua ida a Kiev.

"Eles (os democratas) dizem que eu me estava a meter nas eleições. Isso é ridículo, mas é a opinião deles", acrescentou o advogado pessoal do presidente dos EUA, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Após dois anos de investigação sobre o alegado conluio entre a campanha eleitoral do Presidente norte-americano e os dirigentes russos, nas eleições presidenciais de 2016, Giuliani foi criticado após revelar que vai pedir à Ucrânia uma investigação sobre Joe Biden, candidato democrata às eleições presidenciais em 2020.

A ideia é ajudar a reeleição do Presidente norte-americano e prejudicar aquele que as sondagens indicam ser o mais forte adversário para Donald Trump.

"Quero que isto se investigue", disse anteriormente Giuliani, em entrevista à estação televisiva CNN.

No entanto, Giuliani argumentou à Fox que cancelou a viagem não por causa das críticas da oposição democrata, mas porque, ao viajar para Kiev, estaria a lidar "com um grupo de pessoas que são inimigas do Presidente, em alguns casos inimigas dos Estados Unidos" e, num caso, "com uma pessoa que foi condenada por ajudar os democratas nas eleições de 2016".

Contudo, o advogado não explicou a quem se estava a referir ou porque achava que, viajando para Kiev, estaria a lidar com "inimigos" de Washington.

O advogado de Trump e ex-presidente da Câmara de Nova Iorque tinha anunciado na noite de sexta-feira uma deslocação a Kiev para se reunir com o Presidente eleito da Ucrânia, Vladimir Zelenski.

O objetivo seria o de pedir a este que investigasse a ligação do filho de Biden, Hunter, a uma empresa de gás propriedade de um oligarca ucraniano.

Em 2016, quando era vice-Presidente dos EUA, Biden ameaçou cortar mil milhões de dólares em garantias de empréstimos à Ucrânia, se Kiev não demitisse o procurador-geral, Víktor Shokin, que tinha sido acusado de ignorar a corrupção no seu próprio país, e que acabou por ser demitido.

Shokin tinha aberto várias investigações contra o oligarca Mykola Zlochevsky, proprietário da empresa de gás Burisma, em cuja administração estava Hunter, quando o procurador-geral foi demitido.