Mundo

Ministro da Educação do Brasil culpa gestão de Dilma e Temer pelos cortes no setor

Adriano Machado

Governo diz que foram limitadas as despesas de forma a cumprir a lei de responsabilidade fiscal do país.

O ministro da Educação do Brasil, Abraham Weintraub, disse esta quarta-feira que o Governo atual não é responsável pelos cortes anunciados para o setor, que levaram milhares de pessoas às ruas do país.

"Não somos responsáveis pelo contingenciamento atual. O Orçamento atual foi feito pelo Governo eleito de Dilma Rousseff e [Michel] Temer, que era vice- [Presidente] ", afirmou o ministro numa audiência pública na câmara baixa parlamentar.

Abraham Weintraub insistiu:

"Não somos responsáveis pelo desastre da Educação (...). O Governo, que tem quatro meses, não é responsável pela situação", acrescentou.

O ministro da Educação brasileiro reforçou que não há cortes, mas limitação de despesas para cumprir a lei de responsabilidade fiscal do país, porque a arrecadação de impostos foi bem menor do que a projeção utilizada pelo Governo anterior para fazer o Orçamento.

"Nós apenas estamos a cumprir a Lei", declarou Abraham Weintraub.

Em abril, o ministério informou que faria um corte de 30% das verbas das instituições de ensino federais, mas depois explicou que o congelamento seria de 24,84% das designadas despesas discricionárias, usadas para custear o pagamento das contas de água e luz, por exemplo.

Nas universidades federais o corte soma 1,7 mil milhões de reais (380 milhões de reais) ou 3,43% do orçamento, adiantou a tutela.

Abraham Weintraub garantiu estar disponível para dialogar e de portas abertas para receber reitores das universidades federais e os parlamentares para discutir os efeitos destas medidas no funcionamento das instituições de ensino, analisando de forma transparente cada caso.

Segundo o ministro da Educação, o Governo brasileiro pretende usar o dinheiro recuperado no âmbito das investigações relacionadas com corrupção na empresa estatal Petrobras nas áreas da educação e da saúde.

Alunos e professores de universidades e escolas públicas e privadas do Brasil aderiram hoje às paralisações convocadas por entidades ligadas a sindicatos de professores, movimentos sociais e estudantis e partidos políticos.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, ocorreram protestos em 163 cidades do país, sendo que as maiores manifestações foram registadas na capital, Brasília, e nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife.

Lusa

  • Um minuto de campanha
    1:02