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Morreu o homem que reclamava ser o mais velho do mundo, com 123 anos

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Appaz Iliev nasceu em março de 1896, ainda a Rússia tinha Czar e, antes de morrer com 123 anos deu a receita para uma vida duradoura e feliz.

Vesti.ru/ east2west news

O homem que reclamava ser o mais velho do mundo era pai de 8 filhos, combateu na Primeira Grande Guerra e pelo Exército Vermelho na Guerra Civil russa entre 1917-22, mas aos 45 anos foi considerado velho demais para lutar na II Guerra Mundial.

Depois disso, tornou-se tratorista, mas foi pastor grande parte da vida, até ter 800 animais no seu rebanho.

Começou a trabalhar aos 7 anos, quando foi enviado, sozinho, para as montanhas do Cáucaso do Norte para tomar conta do gado.

" A primeira vez que os meus pais me mandaram para a montanha sozinho chorei o dia todo. Havia muitos soldados na montanha e tinha muito medo. Mais de 100 anos depois ainda me lembro desse terror!" confessou Appaz numa das últimas entrevistas à imprensa.

Vesti.ru/ east2west news

Em 1944 foi deportado pelo regime de Estaline para o Cazaquistão, onde viveu vários anos no exílio e na pobreza.

Foi num trator que conheceu a mulher, que também seguia num veículo agrícola em sentido contrário. Seguia-a e encontrou-a a dormir ao volante. Ficaram juntos até à morte da esposa, em 2014.

Em 2015 foi finalmente colocado na lista dos homens mais velhos da Rússia.

Morreu agora, quatro anos depois, na região onde nasceu na República da Inguchétia ou Ingúchia, uma divisão da Federação da Rússia, mas nunca chegou a aprender russo. Falava apenas inguche, a língua falada por cerca de 230.000 de pessoas na Inguchétia e na Chechénia.

O certificado de nascimento não resistiu a mais de um século de vida, mas o passaporte, divulgado pela imprensa russa, parece confirmar que Appaz Iliev seria mesmo o homem mais velho do planeta, ultrapassando o japonês que morreu aos 116 anos e 54 dias.

Etokavkaz/ east2west news

Os segredos da longevidade

Evitar a TV e os médicos, dormir 11 horas por dia, não beber álcool ou fumar e comer e viver bem foram os principais conselhos que Appaz deixou aos amigos e à extensa família de 8 filhos, 35 netos, 45 bisnetos e já uns quantos trinetos.

Nas várias reportagens em que lhe foi perguntado o segredo da longevidade, Appaz Iliev fazia questão de falar da comida: só frescos do quintal e carne, só de animais criados na aldeia de Guli, perto da fronteira com a Geórgia.

Só bebia leite fresco e água de nascente e aos 115 anos ainda montava a cavalo.

Com 119 anos ainda tinha todos os dentes e era frequentemente avistado amanhar a terra ou a "roubar" milho dos campos vizinhos.

Vangloriava-se de evitar os médicos, mas teve de ser operado às cataratas com 121 anos.

Ainda recentemente, numa entrevista o neto Mustafa Iliev, de 33 anos, partilhava alguns dos lemas de vida do avô:

"O mais importante é estar ativo, sempre em movimento. As pessoas devem dizer, ao olhar para nós, bem feito! De quem é filho? De onde vem a família? Porque nós carregamos não só a própria dignidade, como a do resto da família." afirmou o neto do pastor russo que passou por várias eras e gerações outro dos segredos para uma vida feliz passa pela partilha.

Antes de morrer Appaz Iliev terá dito:

"Dêem valor ao que têm e partilhem com os outros"

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