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Presidente do Brasil diz que investigação contra o seu filho visa atingi-lo

Ricardo Moraes

Investigação do MP do Rio de Janeiro (MPRJ) encontrou indícios de que filho de Bolsonaro pode ter participado num esquema de desvio de recursos públicos.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse esta quinta-feira que a divulgação de informações sobre a quebra do sigilo fiscal e a investigação do Ministério Público sobre alegados atos ilícitos cometidos pelo seu filho Flávio Bolsonaro visam atingi-lo.

"Isso é uma 'jogadinha'. Quebraram o sigilo bancário dele [Flávio Bolsonaro] desde o ano passado e agora, para dar um verniz de legalidade, quebraram oficialmente o sigilo dele e de mais 95 pessoas?", questionou Jair Bolsonaro em declarações à imprensa, em Dallas, nos Estados Unidos.

"O objetivo é atingir-me", acrescentou o chefe de Estado brasileiro.

Uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre Flávio Bolsonaro encontrou indícios de que ele pode ter participado num esquema de desvio de recursos públicos, segundo uma reportagem da revista Veja, e cujos dados foram confirmados por outros meios de imprensa no Brasil.

Na quarta-feira, a revista brasileira publicou parte de um relatório do MPRJ sobre um suposto esquema ilícito que teria sido criado no gabinete de Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual do Rio de Janeiro.

O documento do MPRJ cita indícios da prática de branqueamento de capitais com imóveis, informação que foi usada para justificar o pedido de quebra do sigilo bancário e fiscal de 95 pessoas e empresas relacionadas a Flávio Bolsonaro.

De acordo com os investigadores, Flávio Bolsonaro terá investido 9,4 milhões de reais (dois milhões de euros) na compra de 19 salas e apartamentos na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, entre 2010 e 2017, e fez operações suspeitas de venda de imóveis que renderam lucros de três milhões de reais (670 mil euros) no período.

O MPRJ suspeita que a suposta fraude pode ter ocorrido para "simular ganhos de capital fictícios" que encobririam "o enriquecimento ilícito decorrente dos desvios de recursos" praticado por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Se se confirmar, os desvios teriam sido efetivados pela prática ilícita do que no Brasil é designado de "rachadinha", ou seja, o desvio de parte do salário pago pelo Estado a assessores e funcionários de gabinete para os políticos que os contratam.

Investigações sobre o filho do Presidente do Brasil ganharam visibilidade no final do ano passado, quando este e o seu ex-assessor Fabrício Queiroz foram citados em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, que encontrou movimentações bancárias atípicas.

Segundo este conselho, Fabrício Queiroz fez movimentações financeiras atípicas no valor de 1,2 milhões de reais (270 mil euros) na sua conta bancária, valor totalmente incompatível com os ganhos salariais.

Na sequência da reportagem da Veja, Flávio Bolsonaro reafirmou que é inocente.

"Não são verdadeiras as informações vazadas na revista Veja acerca do meu património. Continuo a ser vítima de (...) constantes vazamentos de informações contidas num processo que está em segredo de justiça", escreveu na rede social Twitter.

Segundo Flávio Bolsonaro, os valores noticiados "são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais".

"Sempre declarei todo o meu património à receita federal (...). Tenho o meu passado limpo e jamais cometi qualquer irregularidade na minha vida. Tudo será provado em momento oportuno dentro do processo legal", concluiu.

Lusa

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