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Bolsonaro nega acordo com Moro para que ex-juiz aceitasse ser ministro da Justiça

Garantia foi dada por Jair Bolsonaro numa transmissão em direto na sua página na rede social Facebook.

O Presidente brasileiro afirmou na quinta-feira que não efetuou nenhum acordo com Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, para que este aceitasse o cargo no Governo em troca de um futuro cargo no Supremo Tribunal Federal.

."Quero deixar bem clara a questão do Moro no Supremo Tribunal Federal [Notes:STF] . Quem me acompanhou ao longo de quatro anos pelos Brasil sabe que eu sempre falava. Que precisamos de alguém no Supremo com o perfil do Sérgio Moro. Foi isso que foi falado. E agora, por exemplo, perguntaram-me quem é que eu indicaria hoje para o Supremo, eu indicaria o Moro. Não existiu nenhum acordo, nada", afirmou Jair Bolsonaro, numa transmissão em direto na sua página na rede social Facebook.

No fim de semana, Bolsonaro afirmou que pretende honrar um "compromisso" firmado com Sergio Moro e indicá-lo para o STF quando surgir a primeira vaga.

O juíz Celso de Mello, o mais antigo do STF, irá aposentar-se no final do próximo ano, quando completa 75 anos.

"A primeira vaga que surgir, eu tenho esse compromisso com o Moro e, se Deus quiser, cumpriremos esse compromisso", afirmou Bolsonaro no fim de semana, citado pela imprensa local.No entanto, o ministro da Justiça brasileiro declarou na segunda-feira que não colocou qualquer condição para integrar o atual Governo.

"Ele [Notes:Bolsonaro] foi eleito, fez o convite [Notes:para o Ministério da Justiça] publicamente, fui à casa dele no Rio de Janeiro (...). Não vou receber convite para ser ministro e estabelecer condições sobre circunstâncias do futuro que não se pode controlar", disse Moro durante uma palestra sobre combate à corrupção, em Curitiba.

Sergio Moro assumiu em janeiro o 'superministério' da Justiça, na governação de Jair Bolsonaro, que inclui a Segurança, a Controladoria-Geral da União e uma parte do Conselho de Controlo de Atividades Financeiras.

O principal projeto que ele defende, um controverso pacote chamado lei anticrime com novas normas para o combate a violência e a corrupção, tem sido alvo de críticas da sociedade civil e de parlamentares.

O ministro sofreu na semana passada uma grande derrota política quando parlamentares tiraram de sua pasta o comando do Conselho de Controlo de Atividades Financeiras (Coaf), numa primeira votação que ainda precisa ser confirmada no plenário do Parlamento brasileiro.Moro ficou conhecido por ter sido o juiz responsável pelos processos da operação 'Lava Jato' em primeira instância e por ter condenado à prisão por corrupção o antigo Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Lusa

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