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Dezenas detidos na Indonésia por suspeitas de ligação ao Daesh

Beawiharta Beawiharta

Detidos estariam a preparar atentados.

A polícia indonésia anunciou esta sexta-feira que deteve várias dezenas de pessoas suspeitas de estarem ligadas à organização jihadista Daesh, algumas das quais estariam a preparar atentados para quando forem anunciados os resultados das eleições, na próxima semana.

"Só este mês já detivemos 29 suspeitos" no curso de operações preventivas, antes do anúncio oficial dos resultados das eleições, marcado para quarta-feira, afirmou um porta-voz da polícia nacional, Muhammad Iqbal, em conferência de imprensa.

Desde o início do ano, foram detidas 60 pessoas em operações antiterrorismo em todo o arquipélago.

Oito suspeitos foram mortos nos confrontos com as forças de segurança, acrescentou, incluindo a mulher de um extremista que se explodiu com um de seus filhos durante o cerco a uma casa, em março.

As autoridades estão preocupadas com o risco de manifestações, já que o ex-general Prabowo Subianto, adversário do ainda Presidente, Joko Widodo, avisou que fará os seus apoiantes sair às ruas caso considere que houve fraude.

Prabowo Subianto disse que não reconhecia a validade dos resultados parciais, que dão um avanço de 12 pontos percentuais ao Presidente atual no escrutínio realizado a 17 de abril.

De acordo com o porta-voz da polícia, os militantes detidos queriam aproveitar as manifestações para "atacar a multidão e a polícia".

"Pedimos ao público que não vá para as ruas a 22 de maio já que isso se pode tornar perigoso", advertiu o porta-voz da polícia.

Cerca de 32 mil membros das forças de ordem deverão ser destacados para a capital de Jacarta na quarta-feira, nomeadamente para a zona da comissão eleitoral, onde será feito o anúncio dos resultados.

Prabowo Subianto criticou a comissão, considerando-a responsável pelas alegadas fraudes eleitorais. O órgão de supervisão do escrutínio admitiu irregularidades, mas sublinhou que não foram dadas quaisquer vantagens a nenhum dos candidatos.

Segundo a polícia, alguns dos suspeitos de terrorismo detidos fabricaram explosivos e combateram ao lado do grupo jihadista Daesh na Síria, enquanto outros eram membros da rede radical indonésia Jemaah Anshurat Daulah (JAD), acrescentou o porta-voz.

A JAD é fiel ao grupo extremista Daesh e é vista como responsável da série de atentados-suicidas de há um ano sobre igrejas e um posto da polícia da cidade de Surabaya.

A Indonésia, o país muçulmano mais povoado do mundo, confronta-se, há muito tempo, com um movimento islâmico extremista.

Os atentados de Bali, em 2002, que fizeram 202 mortos, muitos dos quais estrangeiros, foram os mais mortíferos.

Lusa