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Kremlin garante não ter nada a ver com vídeo comprometedor do vice-chanceler austríaco

Michael Gruber

Heinz-Christian Strache, vice-chanceler austríaco e líder da extrema-direita, anunciou a sua demissão do Governo.

A Rússia afirmou hoje que "não tem nada a ver" com o escândalo político na Áustria, onde a difusão de um vídeo comprometedor para o líder nacionalista e vice-chanceler do país abalou a coligação no poder.


"É uma história que não tem nem pode ter nada a ver connosco", disse aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, a propósito de um vídeo divulgado no final da semana passada.


O vídeo mostra um encontro em Ibiza registado com uma câmara oculta em que o líder nacionalista Heinz-Christian Strache, alcoolizado, promete a uma suposta sobrinha de um milionário russo a adjudicação de contratos públicos em troca de apoio financeiro e mediático ao Partido da Liberdade da Áustria (de extrema-direita, FPÖ).


Segundo informações divulgadas na sexta-feira por dois jornais alemães, o vice-chanceler demissionário foi filmado a conversar com uma mulher, alguns meses antes das eleições legislativas austríacas de 2017, sobre a possibilidade de um apoio financeiro e mediático ao FPÖ em troca da adjudicação de contratos públicos.

Os títulos alemães Süddeutsche Zeitung e Der Spiegel referiram que Strache se encontrou com esta mulher por acreditar que esta teria ligações a um oligarca russo influente.


No vídeo, Strache fala também de um sistema de financiamento ilegal do FPÖ, partido que dirige desde 2005.
Na sequência do escândalo, Strache, de 49 anos, demitiu-se no sábado das funções de vice-chanceler e, no domingo, Sebastian Kurz anunciou eleições antecipadas, que deverão acontecer em setembro.


Hoje, o FPÖ ameaçou retirar todos os seus ministros do Governo formado em coligação com os conservadores se o chanceler demitir o ministro do Interior, Herbert Kickl (FPÖ), por considerar que as suas funções são incompatíveis com o desenvolvimento da investigação sobre o vídeo.


Kurz fez da saída de Herbert Kickl, que era secretário-geral do FPÖ no momento em que o vídeo foi gravado, uma condição "sine qua non" para uma eventual manutenção da extrema-direta no Governo.


"Obviamente Herbert Kickl não pode fazer uma investigação em casa própria", afirmou o chanceler.

Com Lusa

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