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Falsa psiquiatra roubou pacientes durante duas décadas

Mulher estava registada como médica sem ter concluído os estudos.

Zholia Alemi foi condenada em 2018 a cinco anos de prisão por roubo e fraude, depois de ter trabalhado 22 anos no Serviço Nacional de Saúde britânico sem ter concluído o curso universitário.

A mulher, que trabalhava como profissional de saúde mental, enganava os pacientes para ter acesso às suas contas bancárias e receitava-lhes, sem ter qualificações, medicamentos, internamentos e terapias invasivas.

Para enganá-los, fazia-se passar por amiga, ganhando-lhes confiança durante o tempo que passava com eles. Assim, conseguia obter informações sobre a situação financeira de cada um e roubar-lhes os cartões de crédito.

O caso mais grave aconteceu com uma idosa de 87 anos, internada numa clínica para pessoas com demência, cujo testamento foi alterado por Zholia com o objetivo de obter a herança de 1,3 milhões de libras (cerca de 1,5 milhões de euros).

Para além dos crimes financeiros, os especialistas preocupam-se também com os pacientes que podem ter sido diagnosticados ou tratados de forma incorreta. Durante 18 meses, Zholia ajudou a avaliar pacientes para determinar se seriam internados à força. Nesse período, 24 pessoas foram detidas com a sua autorização.

Em solo britânico, a mulher trabalhou em diversos hospitais e órgãos de saúde, que irão agora rever todos os casos em que esteve envolvida.

Questionado sobre a forma como Zholia obteve o registo profissional, o Conselho Médico Geral do Reino Unido explica que tal aconteceu através de uma “brecha” na lei, que permite que candidatos de determinados países se registem como médicos sem a necessidade de passar por um exame de validação das qualificações.

Segundo a BBC, há outros três mil médicos registados nas mesmas condições que Zholia.