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Assediada pelo diretor da escola e queimada viva por denunciar

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Antes de morrer, Nusrat Jahan Rafi quis deixar uma mensagem de força às vítimas de abusos.

Dezasseis pessoas foram acusadas, em Bangladesh, pelo homicídio de Nusrat Jahan Rafi, uma jovem de 19 anos, que foi queimada viva dias depois de ter apresentado uma queixa por assédio contra o diretor da escola que frequentava.

Siraj Ud Doula, diretor da escola islâmica, terá tocado na jovem de forma inapropriada, segundo a BBC, e acabou por ser detido pelas autoridades locais e acusado pelo homicídio. A polícia suspeita que ele terá ordenado o ataque a partir da prisão.

Atacada na escola por um grupo de colegas

Dias depois de apresentar queixa, a adolescente voltou à escola para realizar os exames finais. No estabelecimento, era esperada por um pequeno grupo de pessoas que exigiram que retirasse a queixa contra o diretor. Quando tentava fugir, subiu ao telhado, onde os agressores lhe lançaram querosene.

Segundo Banaj Kumar Majumder, chefe do Departamento de Investigação da Polícia, o grupo pretendia que o caso parecesse um suicídio.

Nusrat Jahan Rafi foi levada para o hospital com queimaduras em 80% do corpo. Na âmbulância quis gravar uma mensagem com o telemóvel do irmão antes de morrer:

"O professor tocou-me. Vou lutar contra este crime até ao meu último suspiro", disse.

Nusrat não resistiu aos ferimentos e faleceu cinco dias depois.

"Justiça por Nusrat, Justiça pelo Bangladesh"

O caso provocou protestos em massa no Bangladesh, por se considerar que as mulheres não têm capacidade de lutar contra os abusos sexuais e assédio no país.

Mahmud Hossain Opu

A primeira-ministra do Banglasesh, Sheikh Hasina, garantiu que "nenhum dos culpados será poupado à justiça".