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Jornalista da Al-Jazzera preso há dois anos e meio no Egito vai permanecer detido

© Fadi Arouri / Reuters

Mahmoud Hussein foi detido três dias após a sua chegada ao Egito, onde se preparava para um período de férias com a família.

Um procurador egípcio ordenou esta quarta-feira que seja mantida a detenção de um jornalista da cadeia televisiva Al-Jazeera apesar da decisão de um tribunal que ordenou a sua libertação, referiu a agência noticiosa AFP ao citar uma fonte oficial.

Mahmoud Hussein, um egípcio que trabalhava na sede da Al-Jazeera em Doha, capital do Qatar, foi detido no final de dezembro de 2016, três dias após a sua chegada ao Egito onde se preparava para um período de férias com a família.

Ao justificarem a sua prisão, as autoridades referiram-se a incitamento à revolta contra o Estado, difusão de falsas informações e de receber verbas provenientes do estrangeiro para difamar as instituições estatais egípcias. Desde então foi colocado em regime de prisão solitária, tendo-lhe sido negados todos os direitos legais, e sem ter sido formalmente acusado.

Na semana passada, um tribunal egípcio tinha ordenado a sua libertação após dois anos e meio de detenção. "O procurador da segurança do Estado ordenou hoje a permanência em detenção de Mahmoud Hussein por 15 dias devido a investigações em curso", disse uma fonte dos serviços de segurança.

A sua família indicou no Facebokk que as autoridades iniciaram um novo inquérito contra o jornalista sobre outro caso. Após a decisão de hoje, a cadeia televisiva do Qatar referiu em comunicado "deplorar veementemente a decisão das autoridades egípcias de reenviar Mahmoud Hussein para a prisão de Tora [periferia sul do Cairo] apesar da decisão da justiça em libertá-lo".

"Esta longa detenção demonstra de novo que o Egito é um país sem leis, sem respeito pelos jornalistas, a liberdade de imprensa, os direitos humanos ou mesmo a sua própria Constituição", reagiu em comunicado Mostefa Souag, diretor-geral interino da Al-Jazeera.

A cadeia televisiva do Qatar é acusada pelo Cairo de apoiar o movimento da Irmandade Muçulmana, proibido pelas autoridades egípcias.

O acesso ao 'site' da Al-Jazeera está bloqueado no Egito deste 2017. Desde 2013, na sequência do golpe de Estado militar que afastou o presidente eleito Mohamed Morsi, proveniente da Irmandade Muçulmana e apoiado por Doha, que o poder acusa o movimento islamita de "violências", definindo-o com uma organização "terrorista".

Em 2013, três jornalistas da Al-Jazeera já tinham sido detidos, incluindo um egípcio-canadiano e um australiano, suscitando uma vaga de protestos internacionais. Os três jornalistas, alvo das mesmas acusações atribuídas a Mahmoud Hussein, acabaram por ser libertados em 2015.

O Egito ocupa atualmente o 163º lugar em 180 na classificação mundial de liberdade de imprensa 2019, estabelecida pelos Repórteres sem fronteiras.

Lusa