Mundo

Estado norte-americano de Jersey confisca 237 M€ de antigo Presidente nigeriano

Sunday Alamba

O dinheiro teve origem em atos de corrupção durante a presidência de Sani Abacha.

Mais de 267 milhões de dólares (237 milhões de euros) pertencentes ao antigo Presidente da Nigéria Sani Abacha foram confiscados de uma conta bancária de Jersey, Estados Unidos da América, noticiou hoje a BBC.

De acordo com o "Civil Asset Recovery Fund de Jersey", citado pela BBC, o dinheiro teve origem em atos de corrupção durante a presidência de Sani Abacha na década de 1990.

Uma empresa-fantasma chamada "Doraville" detinha os fundos, que foram congelados em 2014.

Após uma disputa legal de cinco anos, o dinheiro foi recuperado e será dividido entre o estado de Jersey, o Governo dos Estados Unidos da América e da Nigéria, mas ainda não é claro como será feita essa distribuição.

Segundo a BBC, o Departamento Jurídico de Jersey recusou-se a comentar a distribuição final dos fundos, porque isso poderia "prejudicar as discussões em andamento".

O procurador-geral de Jersey, Robert McRae QC, disse que a apreensão "demonstrou o compromisso em combater o crime financeiro internacional e a lavagem de dinheiro".

Sani Abacha foi Presidente da Nigéria entre 1993 e 1998.

O governo de Jersey disse que solicitou ao Governo Federal em 2007 que os processos judiciais fossem julgados nos tribunais dos EUA.

O próprio Departamento de Justiça dos EUA disse à BBC que devolveu milhões de dólares em dinheiro à Nigéria, por considerar que Abacha e os seus sócios fizeram lavagem de dinheiro através do setor bancário do país.

Após várias provas em diferentes jurisdições internacionais, os fundos foram congelados pelo Royal Court [Supremo Tribunal] em 2014 e foram devolvidas ao Fundo de Recuperação de Ativos Civis em 31 de maio.

No ano passado, as autoridades suíças devolveram 300 milhões de dólares (266 milhões de euros) para o Governo nigeriano, depois de terem descoberto que o dinheiro pertencia a fundos públicos.

Segundo a BBC, esse dinheiro vai ser devolvido a 300.000 famílias nigerianas nos próximos seis anos.

Com Lusa