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Legislativas na Dinamarca com possível regresso dos sociais-democratas ao poder

Fabian Bimmer / Reuters

Tudo aponta para uma alternância no poder após quatro anos de governo de direita liderado por Lars Rasmussen.

Hoje é dia de eleições legislativas na Dinamarca. 4,2 milhões de eleitores estão a escolher o novo Parlamento de Copenhaga, num país onde a taxa de participação é elevada - em 2015 votaram 85,9%.


A campanha foi dominada pelas questões da imigração, numa altura em que na Dinamarca até os partidos ao centro defendem políticas anti-imigração.

O primeiro-ministro dinamarquês Lars Loekke Rasmussen decidiu antecipar em cerca de uma semana as eleições legislativas.

Rasmussen, no poder com o apoio de três partidos, incluindo uma formação anti-imigração, poderá ter de ceder o lugar aos sociais-democratas e assistir à emergência de novos partidos de extrema-direita, num país obcecado pela questão dos estrangeiros.

Caso garantam o primeiro lugar, os sociais-democratas liderados por Mette Frederiksen deverão formar um Governo minoritário, cooperando com a direita sobre as questões migratórias e com a esquerda em outras áreas, de acordo com analistas citados pela agência noticiosa AFP.

No entanto, admitem que também se poderá aliar ao Partido do Povo dinamarquês (DF, eurocético e anti-imigração), cujo líder, Kristian Thulesen Dahl, saudou em 2018 a sua viragem para uma política de acolhimento cada vez mais restritiva.

Neste cenário, os partidos de esquerda dizem-se de momento reservados sobre o seu potencial apoio aos sociais-democratas e à sua líder Mette Frederiksen, 41 anos.

Antiga ministra do Emprego e de seguida da Justiça, Frederiksen apresentou em 2018 um projeto de reforma destinado a selecionar a chegada de estrangeiros "não ocidentais", reenviando-os para campos em África com a supervisão do Alto Comissário da ONU para os Refugiados, numa retórica atribuída à extrema-direita mas que se banalizou na Dinamarca.

"O clima político é anti-imigração desde há anos. A agenda do DF foi adotada pelos partidos tradicionais" de todos os campos, sublinha Anders Widfeldt, especialista em partidos políticos nórdicos e professor na Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Paradoxalmente, o DF deverá registar um recuo eleitoral em benefício de dois novos partidos de extrema-direita (a Nova Direita e a Linha Dura), que vão apresentar candidatos ao escrutínio.

Estas novas formações poderão captar um eleitorado desiludido com o DF, que tem multiplicado os apelos dirigidos aos sociais-democratas no plano social, segundo o analista.

Rasmus Paludan, chefe do Linha Dura e violentamente anti-muçulmano, já foi condenado por injúria racista e, segundo os 'media', bloqueado na rede social Facebook durante um mês após a publicação de uma foto em que associava a imigração à criminalidade.

Uma derrota eleitoral poderá significar para Rasmussen o fim de uma carreira política iniciada há 25 anos no parlamento dinamarquês.

No plano económico, o seu balanço é positivo. A Dinamarca regista praticamente pleno emprego (3,7% de desemprego em março contra 7,7% na zona euro), e o crescimento está em alta (1,8% aguardado para 2018, 1,3% na zona euro).

O Folketing (parlamento) conta com 179 membros, incluindo quatro representantes dos territórios autónomos do reino escandinavo: dois para a Gronelândia e dois para as ilhas Faroé. Cada formação deve garantir pelo menos 2% dos votos para obter representação parlamentar.

A participação eleitoral é tradicionalmente elevada na Dinamarca, tendo em 2015 votado 85,9% dos cerca de 4,5 milhões de eleitores.