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Centenas de presos holandeses recebiam subsídios na prisão

Um programa identificou um traficante de droga que enquanto estava preso chegou a receber um subsidio por "incapacidade de trabalhar".

Centenas de presos holandeses, alguns traficantes de droga e burlões, continuaram a receber prestações sociais enquanto estavam detidos, contrariando a legislação do país que define que nesta situação perdem esse direito, noticia esta quinta-feira a AFP.

A informação, que foi tornada pública esta semana durante a emissão do programa televisivo holandês Nieuwsuur, envergonhou o ministro holandês dos Assuntos Sociais e do Trabalho.

"Isto irrita-me profundamente", declarou na terça-feira o ministro Wouter Koolmees durante um debate sobre a questão convocado pelos deputados no Parlamento.

"Um estudo mostra que a UWV não cancelou, como devia ter feito, os pagamentos a 550 benefícios", disse Nieuwsuur, que está há semana a investigar os erros cometidos pela UWV (entidade que gere o pagamento de prestações sociais na Holanda).

O programa televisivo holandês identificou um traficante de droga que enquanto estava preso chegou a receber um subsidio por "incapacidade de trabalhar" no total de 102.000 euros, valor que terá de devolver na sua totalidade.

Outro detido, que auferiu 24.000 euros enquanto esteve preso durante 19 meses, "registou-se com o endereço da prisão", nos documentos da UWV, afirmou o seu advogado Rasim Kücükünal, citado pelo jornal diário De Volkskrant.

O ministro do Trabalho, entidade que tutela UWV, disse que desconhecia o facto de os subsídios terem sido pagos aos detidos e estar "preocupado" e prometeu aos deputados mais transparência sobre o funcionamento daquele organismo.

"O que é tão complicado? As pessoas são conhecidas (pelos serviços), são detidas, as entidades comunicam entre si e, no entanto, as coisas correm mal", disse a deputada conservadora Madeleine van Toorenburg.

O pagamento indevido dos subsídios aos presos deveu-se ao facto da entidade responsável operar com um sistema de dados desatualizado, um problema que tem de ser resolvido "o mais rapidamente possível", disse Koolmees.

Nieuwsuur também revelou recentemente um outro exemplo do mau funcionamento da UWV em que o organismo continuou a pagar um subsídio aos trabalhadores polacos mesmo depois de estes terem regressado ao seu país.

Lusa