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Angola ainda precisa de 300 milhões de euros para concluir desminagem

Nos últimos 10 anos o setor tem registado um "decréscimo de financiamento" a nível dos doadores.

As autoridades angolanas reconhecem que o país ainda apresenta um "alto nível de contaminação de minas", sendo necessários pelo menos 300 milhões de euros para libertar anualmente, até 2025, 450 áreas ainda afetadas.

"Estamos entre os países considerados com alto nível de contaminação e ainda não saímos dessa área", disse hoje, em Luanda, Adriano Gonçalves, do gabinete de Cooperação e Intercâmbio da Comissão Intersetorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH) de Angola.

Em declarações aos jornalistas à margem de um encontro de Coordenação e Avaliação do Programa de Desminagem em Angola, tendo em conta a Agenda 2025, estabelecida para os países concluírem a desminagem, assumiu que, "realisticamente, Angola não poderá atingir a meta".

Segundo o responsável, nos últimos dez anos o setor tem registado um "decréscimo de financiamento" a nível dos doadores, entre o Estado angolano e os parceiros internacionais, que já atingiu um "nível de quase 90%".

"O que levou a que muitos operadores que estavam a fazer um trabalho muito valioso em Angola tiveram de se retirar e os que permanecem estão com níveis muito baixo de atividades, em termos de recursos humanos e materiais", adiantou.

Além de um operador nacional, a The Halo Trust, a Mine Advisory Group (MAG) e a Ajuda Popular da Noruega são os operadores internacionais que mantêm a sua atividade em Angola.

"Estamos conscientes de que esta data [2025] não será tão realística para nós, porque precisaríamos de 350 milhões de dólares [308 milhões de euros] para libertar cerca de 450 áreas afetadas por ano, que seriam cerca de 15 milhões de metros quadrados por ano, para que chegássemos, em 2025, e tivéssemos o problema completamente resolvido", referiu.

Adriano Gonçalves recordou que em 2017 Angola fez um pedido de extensão do prazo, mas o mesmo ficou limitado a 2025, admitindo que o seu alcance é "quase impossível" devido às "limitações de recursos humanos e financeiros".

"O que nos satisfaz é que estamos num bom caminho, estamos a fazer todo esforço para que pelo menos ao chegarmos a esta data tenhamos o máximo possível feito", disse.

De acordo com o membro do gabinete de Cooperação e Intercâmbio do CNIDAH, as províncias angolanas do Cuando Cubango, com cerca de 267 áreas afetadas, seguida do Moxico, Cuanza Sul e Bié registam "maior incidência" de minas no país.

Referiu que o organismo ainda não declarou províncias livres de minas, um processo, realçou, que deve acontecer em breve, porque, argumentou, "já temos algumas províncias como Malanje e Huambo em que na nossa base de dados central não comportam áreas afetadas".

"Mas isso, ainda carece de algum trabalho que temos estado a fazer nos últimos tempos, em que estamos a juntar todos os intervenientes daquelas áreas e algumas individualidades para nos darem mais informações", concluiu.

Advocacia em torno da luta contra as minas terrestres e outros engenhos explosivos remanescentes de guerra, destruição de minas terrestres armazenadas, assistência e reinserção às vítimas de minas terrestres foram alguns dos temas abordados no encontro de hoje.

Lusa