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EUA fazem ultimato à Turquia sobre compra dos mísseis russos S-400

Vitaly Nevar

Erdogan e Trump têm previsto um encontro no final de junho no Japão, à margem da cimeira do G20.

Os Estados Unidos anunciaram esta sexta-feira que deu à Turquia um prazo até final de julho para que renuncie à compra dos mísseis russos S-400, que consideram incompatíveis com o novo avião furtivo F-34 que Ancara também pretende adquirir.

"Caso a Turquia não renuncie ao sistema S-400, os pilotos turcos atualmente nos Estados Unidos serão expulsos e os subcontratos atribuídos a empresas turcas para o fabrico do F-35 serão anulados", declarou aos 'media' Ellen Lord, secretária ajunta da Defesa responsável pelas aquisições, tecnologia e logística.

A responsável norte-americana justificou esta ultimato pelo facto de a Turquia, aliada nos Estados Unidos na NATO, ter enviado pessoal militar à Rússia para iniciar o treino dos S-400.

Previamente, Sergueï Tchemezov, diretor do conglomerado militar-industrial russo Rostec, tinha anunciado que a entrega dos sistemas de defesa antiaéreo russos S-400 à Turquia estão previstos para começarem "dentro de dois meses".

"Está tudo em ordem, penso que dentro de dois meses começaremos as entregas", declarou em entrevista à cadeia televisiva NTV, citado pelas agências noticiosas russas, e à margem do Fórum Económico de São Petersburgo.

"Já foram feitos pagamentos, o crédito foi registado, os equipamentos estão fabricados. Para mais, já terminámos a formação" dos militares turcos que utilizarão os S-400", prosseguiu.

Na terça-feira, o Presidente turco Recep Tayyip Erdogan, tinha já assegurado que não vai recuar na compra dos mísseis de defesa antiaérea russos, apesar das advertências dos Estados Unidos.

"Firmámos um acordo [com a Rússia] . Estamos determinados. Está fora de questão fazer marcha atrás", assegurou Erdogan em declarações citadas pela agência oficial turca Anadolu.

A intenção de Ancara em adquirir o sistema antiaéreo de defesa russo tem sido um dos fatores para o aumento da tensão entre a Turquia e os Estados Unidos, e que garantem os maiores exércitos da organização aliada.

As Forças Armadas norte-americanas receiam que o sistema russo consiga descodificar os segredos tecnológicos dos seus recentes e sofisticados aviões militares F-35, que Ancara também prometeu adquirir.

"É um caso concluído", têm referido desde há semanas os responsáveis turcos. A entrega dos mísseis russos poderá ocorrer no verão e precipitar duras represálias por parte dos Estados Unidos.

Ainda na semana passada, uma alta responsável do Pentágono, Kathryn Wheelbarger, declarava perante o Atlantic Council, um grupo de reflexão em Washington, que "a concretização desta transação será devastadora" para o programa F-35 e ainda para a "interoperacionalidade da Turquia com a NATO".

Wheelbarger, secretária-adjunta interina da Defesa e responsável pelos assuntos de segurança internacional, acrescentou que caso a administração de Donald Trump decida não impor sanções à Turquia por esta aquisição, poderá ser forçada a fazê-lo por decisão do Congresso.

Na sua perspetiva, e ao comprar estes mísseis, a Turquia pretende assegurar o apoio russo contra os rebeldes curdos ao longo da fronteira com a Síria. No entanto, advertiu Ancara que a Rússia não é um parceiro fiável a longo prazo, não fornece manutenção nem apoio nas suas vendas militares e tenta apenas perturbar a coesão da NATO.

Em paralelo, os responsáveis norte-americanos declararam que a Turquia poderá optar pelo sistema norte-americano Patriot em vez dos S-400 russos, sublinhando que essa decisão permitiria manter o programa de entrega dos F-35.

A Turquia tem a intenção de comprar 100 aviões de combate F-35 e os pilotos turcos já iniciaram um programa de treinos nos Estados Unidos.
Erdogan revelou ter informado os EUA que apenas poderia admitir a compra do sistema Patriot caso as condições fossem tão favoráveis às oferecidas pela Rússia pelos seus S-400.

"Infelizmente não recebemos nenhuma proposta positiva da parte americana a propósito dos Patriot", declarou na terça-feira.

A questão dos S-400 dominou o contacto telefónico na semana passada entre Tayyip Erdogan e o seu homólogo norte-americano Donald Trump. O líder turco reiterou a proposta avançada em abril sobre a formação de um "grupo de trabalho conjunto".

O chefe do Pentágono, Patrick Shanahan, indicou por sua vez ter enviado uma carta ao seu homólogo turco Hulusi Akar para o informar destas decisões. E em declarações aos 'media' precisou que a oferta norte-americana para os Patriot era "muito concorrencial".

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também comentou os recentes desenvolvimentos e demarcou-se da proposta de um eventual grupo de trabalho conjunto.

"Não nos diz respeito. O que nos diz respeito, e aos nossos colegas turcos, é concluir sem problemas esta transação sobre a entrega dos S-400", declarou no início desta semana.

"A Turquia pode falar com qualquer outro país terceiro", acrescentou.

Erdogan e Trump têm previsto um encontro no final de junho no Japão, à margem da cimeira do G20.

Lusa

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