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Jornais russos manifestam solidariedade com o jornalista detido

SERGEI ILNITSKY

O jornalista, que trabalha para o site independente Meduza, foi espancado e mantido sob custódia durante 12 horas sem um advogado.

Os três principais jornais russos fizeram esta segunda-feira primeiras páginas quase idênticas, numa rara manifestação de solidariedade, em sinal de apoio ao jornalista Golunov detido pela polícia de Moscovo.

O Kommersant, o Vedomosti e o RBK, entre os jornais diários mais respeitados do país, publicaram um editorial conjunto sob a manchete "Sou/Somos Ivan Golunov", apelando a uma investigação transparente sobre o caso do destacado jornalista de investigação.

Golunov, que trabalha para o site independente Meduza, foi espancado e mantido sob custódia durante 12 horas sem um advogado, depois de ter sido parado pela polícia em Moscovo na quinta-feira.

O jornalista foi transferido para prisão domiciliária no sábado, após uma manifestação pública de apoio, mas ainda enfrenta acusações de tráfico de droga, que poderão levá-lo a cumprir uma pena de prisão de até 20 anos.

Os jornais descartaram as provas apresentadas no caso contra o jornalista.

O panorama do jornalismo na Rússia é fragmentado, e tal demonstração de solidariedade nos órgãos de comunicação social raramente é vista.

Os três jornais sofreram pressões das autoridades e censura encoberta.

Pavel Chikov, chefe da sociedade de advogados Agora que representa Golunov, publicou hoje resultados de testes que Golunov fez para provar a sua inocência e afirmou que os testes revelaram ser altamente improvável que ele lide regularmente com drogas, como a polícia sugeriu.

Yevgeny Bryun, do Ministério da Saúde da Rússia, disse na televisão estatal, no domingo, que os testes laboratoriais da urina de Golunov não encontraram vestígios de drogas.

As circunstâncias da prisão do jornalista alarmaram a comunidade de jornalística. Numa aparente tentativa de retratar Golunov como um traficante de drogas profissional, a polícia divulgou na sexta-feira várias fotos, alegadamente da casa de Golunov, do que parecia ser um laboratório de drogas, antes de retirar a declaração, afirmando que as fotos foram tiradas noutro lugar.

Golunov ganhou protagonismo com as suas investigações sobre corrupção na Câmara de Moscovo, sobre os crimes na indústria funerária, e sobre os obscuros mercados de alimentos.

O jornalista disse ao tribunal, no sábado, que recebeu ameaças relacionadas com a sua investigação sobre o negócio funerário em Moscovo.

A diretora-geral da Meduza, Galina Timchenko, revelou hoje na estação de rádio Ekho Moskvy que Golunov lhe contara em marco das ameaças que começou a receber depois de a sua peça ter sido publicada.

Timchenko disse ainda que conversou com Golunov sobre medidas de segurança, mas não conseguiu que Golunov deixasse o país.

Lusa

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