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China pede aos EUA que parem de interferir nos assuntos de Hong Kong

Thomas Peter

Projeto de Lei em Hong Kong resultou em manifestação com 240 mil participantes que desfilaram pelas ruas da cidade.

O Governo chinês condenou hoje os "comentários irresponsáveis e erróneos" dos Estados Unidos sobre um controverso projeto de lei em Hong Kong que permitirá extradições para a China continental, depois de Washington ter expressado a sua preocupação.

"Pedimos aos Estados Unidos (...) que sejam cautelosos nas suas palavras e ações, e não interfiram nos assuntos de Hong Kong e nos assuntos internos da China, de forma alguma", disse em conferência de imprensa Geng Shuang, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.

Na segunda-feira, a porta-voz da diplomacia norte-americana, Morgan Ortagus, considerou que as manifestações do fim de semana "demonstraram claramente a oposição da opinião pública" conta aquela proposta, que pode "colocar em risco a autonomia" da região administrativa especial chinesa.

Ortagus considerou que a "contínua erosão do princípio 'um país, dos sistemas' põe em risco o estatuto especial de Hong Kong nos assuntos internacionais.

Washington "partilha a preocupação de muitos residentes de Hong Kong com a falta de salvaguardas nas emendas propostas, o que poderá pôr em risco a autonomia de Hong Kong" e a "proteção dos direitos humanos" naquele território, acrescentou.

Os organizadores da manifestação de domingo afirmaram que mais de um milhão de pessoas desfilaram pelas ruas da cidade, enquanto a polícia da antiga colónia britânica indicou que o protesto juntou 240 mil participantes.

O Governo de Hong Hong considerou esta proposta um instrumento vital para combater o crime transnacional e manter o Estado de direito, enquanto os críticos afirmaram temer que a população fique à mercê de um sistema judicial chinês opaco e politizado.

A controversa proposta vai começar a ser debatida na quarta-feira no hemiciclo.

Imagens aéreas das ruas de Hong Kong, cheias de manifestantes, percorreram o mundo neste fim de semana. Na China continental, porém, os acontecimentos não foram noticiados.

A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas'.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

Lusa

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