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Televisão estatal russa quer mostrar "o que realmente aconteceu" em Chernobyl

VOLODYMYR REPIK

Em causa está a minissérie da HBO.

A televisão estatal russa está a trabalhar na sua própria versão de Chernobyl, uma série baseada no mais grave acidente nuclear da História.

Diferente da aclamada série da HBO, o drama da NTV vai introduzir a CIA como estando envolvida no desastre. Citado pela BBC, o diretor Aleksey Muradov diz mesmo que vai mostrar "o que realmente aconteceu na altura".

A minissérie da HBO, que terminou esta segunda-feira, recebeu a maior pontuação para um programa de televisão no IMDB, assim como atingiu um rating de 9.1 na plataforma russa equivalente, a Kinopoisk.

IMDB

Numa entrevista ao jornal mais lido na Rússia, o Komsomolskaya Pravda, Aleksey Muradov afirma que a sua versão "propõe uma visão alternativa da tragédia em Pripyat".

"Há uma teoria de que os americanos se infiltraram na Central Nuclear de Chernobyl (...) Muitos historiadores não descartam a possibilidade de que no dia da explosão, um agente dos serviços de inteligência do inimigo estava a trabalhar na estação."

A revista norte-americana Hollywood Reporter avança que o Ministério da Cultura da Rússia terá contribuído com cerca de 410 mil euros para a produção televisiva.

O reator n.º 4 da Central Nuclear de Chernobyl explodiu a 26 de abril de 1986, na cidade ucraniana de Pripyat.

Pelo menos 31 pessoas morreram na explosão e acredita-se que os efeitos do desastre tenham morto milhares de pessoas, nos anos seguintes, como consequência da contaminação radioativa.

Como é que a Rússia viu a série da HBO?

A correspondente russa da emissora britânica fala nos elogios na Rússia pela autenticidade da série. Jornais russos declaram ser um retrato mais realista do que muitos filmes nacionais. Há ainda admiração pela maneira que a série enalteceu o heroísmo das pessoas comuns.

No entanto, há também críticas àquilo que outros jornais consideram ser uma conspiração para prejudicar o atual plano de energia atómica do país. Outros chamam a série de propaganda americana, feita para manchar a imagem da União Soviética.

No fim, como a correspondente dá conta, a principal razão pelas críticas terá a ver com a vergonha de que foram os Estados Unidos da América a contar a história de Chernobyl, e não a Rússia.