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Vaticano rejeita mudança de género sexual

Remo Casilli / Reuters

Católicos LGBT acusam o Vaticano de contribuir para a intolerância e violência contra homossexuais e transgénero.

O Vaticano divulgou na segunda-feira um documento oficial em que rejeita a ideia que as pessoas podem escolher ou mudar de género e insiste na "complementaridade" sexual de homens e mulheres para a procriação.

O documento, que é publicado no mês do orgulho LGBT, foi imediatamente rejeitado pelos católicos LGBT por contribuir para a intolerância e violência contra homossexuais e transgénero. Acusam ainda o Vaticano de com isto fomentar a confusão nos indivíduos que questionam a sua identidade de género ou orientação sexual, aumentando o risco de fazerem mal a si próprios.

Intitulado "Masculino e Feminino Ele criou-os: rumo a um caminho de diálogo sobre a questão da teoria de género na educação", o texto tem como objetivo ajudar os católicos - professores, pais, estudantes, clero - no debate daquilo a que a Congregação do Vaticano para a Educação Católica chama "crise educacional" no campo da educação sexual.

Apela para um "caminho de diálogo" e escuta sobre a questão da "teoria do género" na educação. Mas até os defensores dos católicos LGBT notaram que o texto parece baseado apenas em anteriores proclamações papais, documentos do Vaticano e filósofos e teólogos.

"As experiências da vida real das pessoas LGBT parecem totalmente ausentes deste documento", disse à agência Associated Press o reverendo James Martin, padre jesuíta que escreveu um livro para ajudar a Igreja Católica a alcançar a comunidade LGBT "Building a Bridge". "Devíamos acolher o apelo para dialogar e ouvir sobre a questão de género e espero que a conversa comece agora".

Jay Brown da Human Rights Campaign, o maior grupo de defesa dos direitos LGBT nos EUA, diz que esta posição do Vaticano "envia uma mensagem perigosa que faz com que quem esteja a questionar a identidade de género se sinta menos digno".

"Complementaridade biológica" dos órgãos sexuais masculino e feminino para assegurar a procriação

O Papa Francisco tem repetidamente afirmado que as pessoas não podem escolher o género e defendeu o recurso à psiquiatria aos "primeiros sintomas de homossexualidade". Reconheceu no entanto que a Igreja deve pedir perdão aos homossexuais.

Este texto é a primeira tentativa do Vaticano de pôr por escrito a posição da Igreja Católica num documento oficial.

Interpreta a "fluidez de género" como um sintoma de um "conceito de liberdade confundido" e "um desejo momentâneo" que caracteriza a cultura pós-moderna.

Rejeita termos como "intersexo" e "transgénero" e afirma que o propósito da "complementaridade biológica" dos órgãos sexuais masculino e feminino é assegurar a procriação.