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Mulheres suíças fazem greve e exigem igualdade 

Arnd Wiegmann

Mulheres exigem os mesmo salário, o mesmo tempo de serviço e o mesmo respeito que é dado aos homens.

Mais mal pagas, com trabalhos mais precários e menos representadas em cargos de poder, as mulheres na Suíça decidiram parar como forma de protesto.

28 anos depois duma ação do mesmo género, que viu as ruas serem tomadas por meio milhão de mulheres, elas voltam à rua. Fazem greve ao trabalho remunerado e ao trabalho não remunerado, ou seja, ao trabalho doméstico, que continua a estar sobretudo a cargo das mulheres.

“Penso que chegou o momento de finalmente tomar medidas para que as mulheres assumam o seu devido lugar nas esferas de tomada de decisão e defender os seus interesses em todos os níveis da sociedade”, afirma Adèle Thorens, representante dos Verdes, citada pela Reuters.

Nos últimos 28 anos, algumas coisas mudaram, oito mulheres passaram pelo governo e o direito à licença de maternidade é agora algo escrito na lei.

No entanto, segundo a CNN, as mulheres continuam a ganhar menos 20% que os homens, a estarem pouco representadas em cargos de poder e, devido à falta de licença de paternidade e dos preços elevados das creches e amas, as mulheres, que decidem ser mães, são também prejudicadas quando regressam aos seus empregos.

Segundo o jornal Público, em 2018 foi aprovada uma lei, na Suíça, sobre a igualdade salarial. No entanto, o texto legal não reflete o proposto inicialmente nem inclui sanções para quem está em incumprimento da lei.

Situação em Portugal

Num documento divulgado em 2018 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Portugal foi considerado o quinto país com leis e normas sociais mais igualitárias.

A OCDE avaliou os países com base nas seguintes dimensões:

  • Discriminação na família (divórcio, casamento infantil, por exemplo)
  • Restrições à integridade física (mutilação genital feminina, autonomia reprodutiva, por exemplo)
  • Restrições no acesso a recursos financeiros e produtivos (direitos no local de trabalho, por exemplo)
  • Limitações às liberdades civis (direitos de cidadania, por exemplo)

Apesar da posição favorável de Portugal neste relatório, que analisou um total de 120 países, este quinto lugar é resultado de todas as pontuações em cada um dos pontos e não significa que sejamos bem pontuados em todos.

Portugal permite as mesmas leis a ambos os géneros, no entanto, só um terço dos cargos públicos são ocupados por mulheres.

A distribuição do trabalho doméstico ainda é desigual, gastando as mulheres mais três horas do que os homens nestas atividades e, neste campo, Portugal é um dos países com pior classificação.