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Antigo Presidente do Egito Mohamed Morsi morre em tribunal

Maya Alleruzzo

O antigo Presidente do Egito, Mohamed Morsi, morreu em tribunal, onde estava a responder por acusações de espionagem.

A notícia foi avançada esta segunda-feira pela televisão estatal egípcia, que adiantou ainda que o ex-chefe de Estado de 67 anos morreu depois de ter desmaiado no fim de uma audiência no tribunal.

Mohamed Morsi foi o primeiro Presidente eleito democraticamente no Egito, após a queda de Hosni Mubarak, na sequência dos protestos da Primavera Árabe. Em 2013, foi destituído pelas forças armadas lideradas por Al-Sisi, atual Presidente do Egito, depois de vários protestos contra a sua governação.

Estava preso desde então por incitação à violência contra manifestantes, espionagem e falsificar a inscrição da sua candidatura na corrida presidencial de 2012. Morsi foi condenado à pena de morte em 2015, mas a sentença foi revogada por um tribunal superior no ano seguinte.

Morsi enfrentava vários problemas de saúde e os familiares já tinham alertado as autoridades para as condições em que estava detido.

Al Youm Al Saabi

Em 2018, uma comissão britânica independente denunciou que o antigo Presidente estava preso em condições que não respeitavam as normas internacionais e que estas poderiam levar à sua morte prematura. Segundo o relatório da comissão, Morsi era mantido em isolamento 23 horas por dia, em condições de detenção que podiam ser consideradas tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante.

"Em relação ao seu estado de saúde, a recusa de um tratamento médico básico ao qual tem direito pode levar à sua morte prematura", adiantou o deputado Crispin Blunt, presidente da comissão. O antigo presidente sofria de diabetes e de insuficiência renal.

Segundo Crispin Blunt, "o conjunto da cadeia de comando até ao presidente atual" pode ser considerado "responsável" pela situação.