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China acusada de recolher órgãos de presos para tráfico

Fabian Bimmer

Conclusão de um tribunal independente de Londres.

Um tribunal independente de Londres concluiu que os presos na China continuam a morrer por transplantes de órgãos. Segundo Geoffrey Nice QC, líder da instituição, a maioria das vítimas pertence ao movimento religioso Falun Gong.

A perseguição a esta minoria religiosa começou em 1999, depois de milhões de seguidores se juntarem ao movimento, passando este a ser visto como uma ameaça ao partido comunista. Em 2014, a China anunciou que iria parar de recolher órgãos de prisioneiros, mas o tribunal independente garante ter provas de que o crime continua a ser cometido.

Naquele país, o tempo de espera para um transplante continua extremamente baixo, sendo de apenas um par de semanas, garantiu o tribunal, que diz ainda que investigadores que ligaram para hospitais a questionar sobre o procedimento foram informados que alguns órgãos provinham de membros do Falun Gong.

Ao The Guardian, uma ativista do grupo, que esteve num campo de trabalho para mulheres, explicou que os presos são submetidos repetidamente a exames e análises clínicas e questionados sobre doenças.

“Quando alguém desaparecia do campo, assumia que tinha sido libertado. (…) Agora temo que tenham sido levados para o hospital e os seus órgãos removidos sem consentimento e mortos na sequência do processo”.

De acordo com o tribunal independente de Londres, são feitas por ano 90 mil operações de transplante, um número superior ao revelado por fontes oficiais do governo chinês, que insiste que o país respeita os padrões internacionais que exigem que as doações de órgãos sejam consentidas e sem encargos financeiros.

As informações recolhidas pela instituição relatam casos que remontam a 1970. A maioria das provas, ainda assim, da extração de órgãos a prisioneiros, surge a partir de 2000.