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Jeremy Hunt aposta na credibilidade para vencer rival carismático e chegar a PM britânico

Toby Melville

O perfil do adversário de Boris Johnson na sucessão a Theresa May.

Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido e segundo finalista na eleição interna para suceder a Theresa May na liderança do partido Conservador, é considerado um político experiente e competente, mas sem o carisma de Boris Johnson.

Nascido na região de Surrey, a sul de Londres, Hunt, de 52 anos, estudou num colégio interno e depois Filosofia, Política e Economia na Universidade de Oxford e passou dois anos a ensinar inglês no Japão, tornando-se fluente na língua asiática.

Durante esta campanha, tem invocado o seu espírito de empreendedor, pois fundou uma empresa de relações públicas e uma editora antes de entrar para a política e ser eleito como deputado, em 2005.

Em 2010 foi chamado por David Cameron para o Governo, para ministro da Cultura, e evidenciou-se incluir a pasta do Desporto numa altura em que o país estava a preparar os Jogos Olímpicos de Londres de 2012, cuja organização foi considerada um sucesso.

Dois anos depois foi promovido para o Ministério da Saúde na sequência de uma remodelação governamental, com a missão de continuar a implementar medidas de austeridade e reformar o sistema.

Protagonizou um braço-de-ferro com os médicos de família em início de carreira ao querer renegociar as condições dos contratos, impondo turnos aos fins de semana e noites, o que os levou a fazer greve.

No início de 2018, resistiu a ser transferido para outra pasta, tendo convencido a primeira-ministra, Theresa May, a mantê-lo na Saúde, com responsabilidades adicionais nos cuidados sociais, mas em setembro acabou por passar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, para substituir o demissionário Boris Johnson.

Embora tenha feito campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) no referendo de 2016, Hunt converteu-se ao 'Brexit' e acredita que o país pode "prosperar", mesmo sem um acordo, embora mantenha como prioridade uma saída ordenada, e, por isso, admita um novo adiamento.

"Se chegássemos ao dia 31 de outubro, e não houvesse perspectiva de um acordo para a saída da UE, então eu sairia sem um acordo. Se houvesse uma perspectiva, se estivéssemos quase lá, eu demoraria um pouco mais", disse, durante o debate televisivo de terça-feira na BBC.
Dentro do Governo, Hunt tem o apoio tanto da ministra da Defesa, a eurocética Penny Mordaunt, e da ministra do Trabalho, a pró-europeia Amber Rudd, o que contribui para um perfil de candidato unificador do partido.

A sua campanha apoia-se também na sua experiência como chefe da diplomacia e relacionamento com líderes internacionais, como Angela Merkel e Donald Trump.

Numa referência velada à personalidade controversa de Boris Johnson, muitas vezes criticado por falta de um currículo sólido enquanto político, Jeremy Hunt assumiu-se também como um "líder sério" para negociar com Bruxelas e evitar ao mesmo tempo a extinção do partido Conservador.

Lusa