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ONG pedem a França que suspenda contratos de armamento com Riade

Faisal Nasser / AP

Pedem que siga o exemplo do Reino Unido.

Várias organizações não-governamentais (ONG) pediram esta quinta-feira a França que siga o exemplo do Reino Unido e suspenda também a realização de contratos de venda de armamento com a Arábia Saudita, país envolvido no conflito no Iémen.

O Governo britânico decidiu hoje suspender a realização de novos contratos de venda de armamento à Arábia Saudita, após o Tribunal de Recurso de Londres ter considerado que as vendas de armamento britânico a Riade não estão em conformidade com a lei.

O executivo britânico "não avaliou se a coligação liderada pelos sauditas tem vindo a cometer violações do Direito Internacional Humanitário, durante o conflito no Iémen, e não fez nenhuma tentativa para o fazer", declarou o presidente da Divisão Civil da instância londrina, Terence Etherton, instando o executivo a rever as suas práticas nesta matéria.

"A decisão do Tribunal de Recurso de Londres é histórica e envia um forte sinal aos países europeus, como França, que continuam a vender armas à Arábia Saudita, apesar das suas violações sistemáticas contra civis no Iémen", afirmou Bénédicte Jeannerod, da organização Human Rights Watch.

"O Governo francês deve tirar lições disto e parar imediatamente com as transferências de armas para este país", reforçou Bénédicte Jeannerod.

O Iémen é palco de uma guerra desde 2014, entre os rebeldes conhecidos como Huthis, apoiados pelo Irão, e as forças do Presidente Abd Rabbo Mansur Hadi.Desde março de 2015, o governo é apoiado por uma coligação militar internacional árabe, que inclui a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

O conflito no Iémen já matou dezenas de milhares de pessoas, incluindo numerosos civis, segundo diversas organizações humanitárias. O conflito causou ainda 3,3 milhões de deslocados e uma das maiores crises humanitárias no mundo, de acordo com a ONU.

"Não concordamos com a deliberação e vamos pedir autorização para apelar", afirmou o ministro do Comércio Internacional britânico, Liam Fox, em reação ao parecer do Tribunal de Recurso de Londres."Enquanto isso, não iremos acordar novas licenças (de venda de armamento) com a Arábia Saudita e com os seus parceiros de coligação que poderão ser utilizadas no conflito do Iémen", referiu o ministro, acrescentando que o executivo britânico vai avaliar as implicações da deliberação da instância judicial londrina.

"É uma boa notícia que devia fazer jurisprudência em França, onde vários processos judiciais estão em curso", declarou, por seu lado, Tony Fortin, do Observatório de Armamento.

A entrega de armas francesas à Arábia Saudita voltou a ser notícia em finais de maio, quando foi divulgada a entrada em França de um cargueiro saudita suspeito de estar a carregar material de guerra suscetível de ser utilizado no conflito iemenita.

Paris afirmou então que tinha garantias de que as armas vendidas a Riade e aos Emirados Árabes Unidos não estavam a ser usadas contra civis no Iémen, destacando igualmente a importância da "parceria estratégica" com estes dois países.

"Vamos continuar a pedir a suspensão imediata de todas as transferências de armas para todas as partes do conflito", reforçou, por sua vez, Lucy Claridge, da Amnistia Internacional.

"Está na hora dos países envolvidos, incluindo Reino Unido e França, de redobrarem os seus esforços para alcançar um acordo de paz, em vez de continuarem a alimentar o conflito com armas", acrescentou a organização Oxfam.

Em 2018, as exportações francesas de armas aumentaram 30%, para 9,1 mil milhões de euros, tendo como principais recetores o Qatar, Bélgica e Arábia Saudita, segundo dados oficiais.

Lusa

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