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Bolsonaro justifica demissões no seu Governo com "inexperiência"

Adriano Machado

"Depois de fazermos as coisas, compreendemos que podíamos ter feito melhor ou não ter cometido aquele erro".

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, declarou esta sexta-feira que as recentes mudanças e demissões no seu executivo se devem à inexperiência do Governo, reconhecendo "problemas na articulação política", de acordo com a imprensa local.

"Depois de fazermos as coisas, compreendemos que podíamos ter feito melhor ou não ter cometido aquele erro. Quando nós montámos [o Governo] , num primeiro momento, [por] inexperiência nossa, tivemos de fazer algumas mudanças nas funções de cada um, que não deram certo. Então, em grande parte, retornámos ao que era feito no Governo anterior", declarou Jair Bolsonaro, citado pela imprensa brasileira.

Através da sua conta na rede social Twitter, Bolsonaro anunciou hoje que o advogado e polícia militar reformado Jorge Francisco de Oliveira será o novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Até agora, o cargo era ocupado pelo general Floriano Peixoto, que foi transferido para a presidência dos Correios.

Jorge Francisco de Oliveira será o terceiro ministro a ocupar a pasta, que já foi dirigida por Gustavo Bebianno, responsável pela campanha de Bolsonaro nas presidenciais e que foi demitido depois da divulgação de denúncias sobre candidaturas fantasma no Partido Social Liberal (PSL), e pelo general Floriano Peixoto, agora transferido para os Correios.

A "transferência" do general Floriano Peixoto para os Correios ocorreu depois de Bolsonaro ter anunciado a demissão do também general Juarez Cunha, que presidia à empresa estatal, na semana passada num pequeno-almoço com jornalistas.

Na semana anterior, Bolsonaro já tinha anunciado outras mudanças no seu executivo, demitindo o ministro da Secretaria de Governo (Segov), general Carlos dos Santos Cruz, e substituindo-o por outro militar, o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira.

De acordo com a imprensa, a decisão foi atribuída a uma "falta de alinhamento político-ideológico" e confrontos com outros elementos do próprio executivo.

Santos Cruz tornou-se, assim, o terceiro ministro a deixar o executivo em menos de seis meses de gestão liderada por Jair Bolsonaro, após a exoneração dos responsáveis pelas pastas da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, e da Educação, Ricardo Vélez.

Jair Bolsonaro transferiu ainda a função da "articulação política do Governo" para a Segov, retirando-a da alçada do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

A troca foi confirmada através de uma medida provisória assinada por Bolsonaro na passada quarta-feira.

Questionado se Onyx Lorenzoni ficaria enfraquecido com a mudança, Bolsonaro respondeu negativamente, anunciando que, em compensação, o ministro ficará encarregado do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que tem por objetivo concluir obras inacabadas.

"A função do Onyx é a mais complicada que temos aqui. Eu entendo que nós adequámos agora, passando o PPI para o Onyx. Ele está fortalecido, no meu entender. Aqui não há ministro fraco ou forte. Todo a gente tem de jogar junto nesta equipa", declarou o chefe de Estado aos jornalistas.

Lusa

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