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Neonazi confessa assassínio de autarca conservador alemão

Swen Pfoertner

Ministro do interior alemão confirma que investigação vai continuar para perceber se houve cúmplices no crime.

O ministro do Interior alemão na conferência de impresa sobre o assassínio do autarca conservador alemão Walter Lübcke atribuído ao neonazi Stephan Ernst

O ministro do Interior alemão na conferência de impresa sobre o assassínio do autarca conservador alemão Walter Lübcke atribuído ao neonazi Stephan Ernst

Bernd von Jutrczenka

Markus Schreiber

O neonazi Stephan Ernst confessou o assassínio do autarca conservador alemão Walter Lübcke, informou hoje o ministro do Interior, adiantando que a investigação vai continuar para perceber se houve cúmplices no crime.

"Fomos informados de que o alegado assassino confessou", disse Horst Seehofer aos jornalistas, depois de uma sessão à porta fechada da comissão parlamentar do Interior.

Seehofer adiantou, no entanto, que o neonazi Stephan Ernst assegura ter atuado sozinho.

"Ficamos felizes com este sucesso, mas a investigação não terminou. Temos de continuar a trabalhar para perceber se houve cúmplices", acrescentou.

Walter Lübcke, membro da União Democrata-Cristã (CDU, partido da chanceler alemã Angela Merkel), 65 anos, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, na sua casa nos arredores de Kassel, no Estado de Hesse (centro da Alemanha), a 02 de junho.

Lübcke liderava a autarquia de Kassel e manifestou várias vezes o seu apoio à política de acolhimento de refugiados conduzida pelo Governo de Merkel entre 2015 e 2016.

Na altura, o autarca suscitou a fúria dos movimentos de extrema-direita alemães e foi alvo de ameaças.

O suspeito foi identificado através de vestígios de ADN nas roupas da vítima.

Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral Federal da Alemanha confirmou que o suspeito do homicídio era um simpatizante da extrema-direita que já tinha sido condenado, em 1993, por uma tentativa de ataque contra um centro de acolhimento de migrantes no Estado de Hesse.

Os media alemães também noticiaram que o suspeito terá igualmente participado num ataque a uma manifestação de sindicalistas, em 2009 em Dortmund (oeste).

O ministro do Interior alemão indicou que a atividade do suspeito nos circuitos da extrema-direita não era identificada desde 2009, referindo que o homem tinha desaparecido, desde então, dos radares da polícia.

O assassinato de Lübcke fez renascer na Alemanha o debate sobre a violência de extrema direita.

Durante as investigações, a polícia teve conhecimento de que o nome de Lübcke estava numa lista de possíveis objetivos do grupo terrorista neonazi Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU).

O ministro alemão do Interior sublinhou, durante a investigação, que o homicídio do autarca conservador é um "sinal de alerta" para toda a Alemanha.

Este ato "visa o nosso Estado e o nosso sistema democrático" e marca "uma nova dimensão" dos atos cometidos por membros da extrema-direita no país, disse o ministro, acrescentando que "o extremismo de direita é um perigo crescente e deve ser encarado seriamente pela sociedade".

Sven Pfoertner