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Madrid pede a França extradição de ex-dirigente da ETA por massacre em 1987

Membros do Partido Batasuna francês, da esquerda para a direita: Antton Etxeverry, Zigor Gogeaskoetxea, Xabi Larralde, Egoitz Urrutikoetxea e Jean-Claude Aguerre durante uma conferência de imprensa em Bayonne, no sul de França, a 18 de março de 2003

BOB EDME

Pedido de entrega a Espanha foi feito pela Audiência Nacional, um tribunal que trata dos casos mais graves de crimes contra o Estado.

Bob Edme

O Governo espanhol solicitou a França a extradição do ex-dirigente da ETA José Antonio Urrutikoetxea pelo atentado às residências no quartel de Saragoça em 1987, que provocou a morte de 11 pessoas, entre as quais seis crianças.

O anúncio foi feito hoje pela ministra porta-voz do executivo espanhol, Isabel Celaá, na conferência de imprensa a seguir ao conselho de ministros, tendo esta acrescentado que o pedido de entrega a Espanha foi feito pela Audiência Nacional, um tribunal que trata dos casos mais graves de crimes contra o Estado.

"Estamos a falar de uma barbárie, de um massacre", disse Celaá que, em seguida, reiterou que "todos terão de prestar contas à Justiça", incluindo aquele que é mais conhecido como Josu Ternera, detido em França em 16 de maio passado.

A responsável governamental indicou que ainda não há data prevista para a extradição e sublinhou a "muito estreita" colaboração entre as autoridades policiais espanholas e francesas.

Josu Ternera foi detido pela Direção Geral da Segurança Interna francesa, em colaboração com a Guarda Civil espanhola, no parque de estacionamento de um hospital francês onde estava a ser tratado.

No pedido de extradição, o membro da ETA é acusado do alegado delito de atentado terrorista que resultou em morte, dez crimes de homicídio e 63 crimes de tentativa frustrada de homicídio.

Os factos investigados neste caso correspondem ao ataque com carro-bomba contra as residências no quartel da Guarda Civil (correspondente à GNR portuguesa) em Saragoça, realizado em 11 de dezembro de 1987.

O líder da ETA foi preso há um mês e meio em França para cumprir uma sentença de oito anos de prisão decretada pela justiça francesa em junho de 2017 por pertencer à ala política da organização terrorista.

No entanto, o Tribunal de Apelo de Paris ordenou a sua libertação provisória com uma pulseira eletrónica devido aos problemas de saúde que tem.

Josu Ternera foi novamente enviado para a prisão, desta vez para ser extraditado, em 19 de junho último, depois de a procuradoria junto da Audiência Nacional espanhola ter recordado às autoridades francesas que estavam em vigor vários mandados europeus de detenção e entrega contra ele.

Josu Ternera estava fugido desde novembro de 2002, apesar de organização separatista basca ter anunciado oficialmente há um ano a sua dissolução total e o fim da sua atividade política, depois de dezenas de anos de atentados em que fez mais de 800 vítimas mortais.

A ETA foi fundada em 1959, durante a ditadura de Francisco Franco, e fez uma série de atentados em Espanha e em França em nome da independência do País Basco espanhol e francês, assim como da região espanhola de Navarra.

A organização terrorista já tinha renunciado à violência em 2011 e entregado em 2017 aquilo que assegurou serem as suas últimas armas.

Com Lusa

Vincent West

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