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Mãe e filha resistem a violação e acabam espancadas e de cabeça rapada em público na Índia

Fonte: BBC

Pelo menos duas pessoas foram detidas no leste do país, na sequência do último escândalo de violação na Índia

Amit Dave

Segundo a polícia indiana, o grupo de agressores do qual fazia parte um autarca, fez uma emboscada à casa das duas mulheres - mãe e filha- já com intenção de as violarem.

Após resistirem à agressão sexual, as duas mulheres terão sido espancadas e exibidas como troféus pela aldeia, no estado de Bihar, no leste da Índia.

"Fomos violentamente espancadas com paus. Tenho lesões em todo o meu corpo e a minha filha também" confessou a mãe a à agência de notícias ANI.

Para agravar a humilhação pública, as duas mulheres dizem que as cabeças foram rapadas perante a aldeia inteira.

Mukesh Gupta

Segundo o correspondente da BBC na Índia, Geeta Pandey, a tentativa de violação é um crime no país, mas rapar as cabeças das mulheres e humilhá-las publicamente continua a ser visto como uma afirmação do poder do homem., numa sociedade onde o patriarcado continua profundamente enraizado.

Geeta Pandey chama a atenção para o facto de o grupo incluir um funcionário do Estado indiano, que demonstra o sentimento de impunidade que ainda existe em algumas partes da Índia para com os crimes sexuais.

O problema agrava-se junto das classes mais pobres e marginalizadas, que ainda têm mais dificuldades em convencer a polícia de que estão a ser alvos de crimes violentos.

Muitos destes casos nem sequer chegavam a ser investigados pelo sobrecarregado sistema judicial indiano que, muitas vezes, deixa impunes os mais ricos e poderosos. Também por isso, a indignação e a revolta populr acaba por ser minimizada pela falta de resposta das autoridades indianas.

A Índia endureceu as leis contra as agressões sexuais, depois do caso de uma jovem universitária que morreu após ser violada em grupo num autocarro, em 2012, em Nova Deli, um acontecimento que chocou o país e passou além fronteiras.

O caso provocou uma onda de indignação na Índia, com manifestações a pedir a condenação à morte dos culpados. Mas a violação e o assassinato também causaram tensão na região, a ponto de as autoridades terem que aumentar a segurança dos parentes da vítima e dos seus advogados, e transferir o julgamento para o Estado vizinho devido ao clima de insegurança.

Todos os arguidos professavam a religião hindu e o crime ocorreu num templo da pequena cidade, o que levou alguns vizinhos e políticos locais a exigir a libertação imediata dos acusados.Um grupo de advogados tentou inclusivamente impedir que a polícia registasse acusações em Kathua em abril de 2018.

Uma mulher é violada a cada 20 minutos na Índia

Um dos últimos casos a incendiar a opinião pública foi o de um religiosa cristã de 71 anos «, que foi vítima de violação coletiva na Índia.