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Mais de 100 pessoas manifestam-se contra eletrocussão de cães em Cabo Verde

Em 2018 foram abatidos por eletrocussão 1.600 cães na cidade da Praia.

Pouco mais de uma centena de pessoas saiu este sábado às ruas na cidade da Praia para se manifestar contra a eletrocussão de cães na capital cabo-verdiana e todo o tipo de maus tratos a animais no país.

A manifestação, convocada pelo Movimento Civil Comunidades Responsáveis (MCCR), foi realizada após relatos de que cães errantes são apanhados e abatidos por eletrocussão na lixeira municipal da Praia, um método criticado por associações de bem-estar animal locais e internacionais que defendem outras políticas de controlo da população canina.

A autarquia praiense revelou que em 2018 foram abatidos por eletrocussão 1.600 cães, mas assegurou que o objetivo é fazer com que deixe de ser necessário abater animais.

"Praia, junto, não violência, não abandono, rosto humano"

Logo pela manhã, os manifestantes percorreram as principais ruas do Palmarejo, quase todos vestidos de preto, em homenagem aos cães mortos, com fitas cor de laranja ao peito e no pulso e muitos com os seus patudos ao colo e outros segurando-os pela coleira.

Com muitas crianças a segurar e acompanhar os seus animais de estimação, uma das frases de ordem durante todo o percurso foi "Praia, junto, não violência, não abandono, rosto humano".

Mas também houve muitos pedidos para as pessoas saírem do passeio e ir para o meio da marcha, igualmente seguida por muitos cães a cada rua, agitados e latindo sem parar em direção ao grupo.

Nos cartazes empunhados bem alto destacavam-se frases contra a eletrocussão e envenenamento, chamadas de atenção de que as pedras magoam os cães e que a crueldade contra os animais leva a violência. Outros dois cartazes diziam que "vergonha não é parecer louco por ajudar e defender os animais, mas sim por ver um sofrendo e não fazer nada", e que "quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem".

Um apelo

Em declarações à agência Lusa no final da marcha, em frente à Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Maria Zsuzsanna Fortes, voluntária do MCCR, fez um apelo a todos para se juntarem a esta causa e apelou à população para adotar e não abandonar os animais e pediu às autoridades do Estado para ajudarem a resolver o problema "com rosto humano".

Maria Zsuzsanna Fortes pediu às pessoas para não abandonarem o cão, sublinhando que é um animal que tem entre 10 a 15 anos de vida e que quem tem um deve ser para a sua vida toda.

"O cão é um amigo incondicional do homem, portanto temos de tratá-lo bem, providenciar-lhe os cuidados com a saúde, alimentação, água e a construção uma relação afetuosa", sublinhou.

Sem resposta

A voluntária disse que até agora o movimento não teve nenhuma resposta da Câmara da Praia, mas espera que haja diálogo e que a autarquia reveja a sua posição.

"Até porque são práticas internacionalmente condenadas, proibidas", enfatizou, notando que a Organização Mundial para a Saúde Animal considera inaceitável a eletrocussão e as práticas de captura também não correspondem àquilo que está nesse manual.

Maria Fortes salientou ainda que há uma aliança para a gestão humana da população canina, "e as diretrizes são claras", e gostaria que a Câmara da Praia tivesse um "plano eficaz, mas sem torturar e matar os animais".

A ativista disse que Cabo Verde consegue resolver o problema com mudança e mentalidades e recursos internos, mas entende que também devem contar com ajuda internacional, sobretudo na aprendizagem, com mais veterinários.

O MCCR tem ainda uma petição na internet contra o abate de cães na capital de Cabo Verde, que já conta com mais de mil assinaturas, que vai ser entregue na próxima semana à Câmara Municipal da Praia, pedindo uma mudança de políticas.

Lusa

  • Doente deitada no chão do hospital?
    2:20